As distribuidoras Trustee e Banvox negaram nesta quinta-feira (3) qualquer irregularidade em suas atividades, contestando a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. As empresas, em nota conjunta, expressaram surpresa com a decisão, que o BC justificou por “graves violações às normas legais” que regem as instituições financeiras. Elas afirmaram que sua estrutura operacional está em conformidade com as regras do mercado de capitais e que nunca foram notificadas pelo Banco Central sobre as irregularidades mencionadas.

As distribuidoras informaram que têm cooperado com o Banco Central nos últimos meses, prestando todos os esclarecimentos solicitados e sanando dúvidas relacionadas a investigações que envolvem o Banco Master. Elas também ligaram a decisão de liquidação à denúncia apresentada pelo Ministério Público na Operação Carbono Oculto, divulgada na mesma data, destacando que nenhum de seus executivos foi incluído na denúncia.

Detalhamento da Liquidação e Implicações

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., ambas com sede em São Paulo. Segundo a autarquia, as empresas fazem parte de um conglomerado prudencial de segmento S4, com baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional.

Em julho de 2026, as duas instituições somavam menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros. Embora o BC tenha mencionado “graves violações” como motivação, não detalhou quais condutas específicas levaram à medida. O órgão regulador indicou que continuará apurando responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações a outras autoridades. Com a liquidação, os bens dos controladores e ex-administradores das distribuidoras foram declarados indisponíveis, conforme previsto em lei.