O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, denunciou que Donald Trump tem o objetivo de destruir Cuba, ampliando o bloqueio contra a ilha por meio de um cerco energético. A declaração foi feita em entrevista à Record e repercutida nesta quarta-feira (2) pela agência Prensa Latina. O diplomata defendeu a retomada do diálogo entre Havana e Washington, mas ressaltou a necessidade de respeito à igualdade soberana entre os dois países. Cairo descreveu as medidas do governo Trump como cruéis, afirmando que a atual administração dos Estados Unidos intensificou a política de hostilidade contra a nação caribenha.

O embaixador afirmou que o governo estadunidense está determinado a destruir Cuba, considerando a América Latina e o Caribe como povos inferiores, subordinados aos interesses dos Estados Unidos. Apesar do aumento das tensões, Cairo confirmou tentativas de interlocução entre os governos, que, no entanto, enfrentaram obstáculos devido à intenção dos EUA de impor “um modelo de destruição a Cuba”. O diplomata reiterou que Havana permanece aberta a negociações sobre questões de interesse comum, mas não aceitará que o sistema político e os assuntos internos da ilha sejam colocados em discussão. Ele enfatizou que Cuba não interfere nos sistemas políticos de outros países e espera o mesmo respeito.

Bloqueio econômico e cerco energético

Entre os temas que poderiam integrar uma agenda bilateral, o embaixador citou comércio, narcotráfico e combate ao crime organizado, desde que as tratativas ocorram sem interferência externa e com reconhecimento da soberania nacional. Cairo também abordou os efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. Segundo o diplomata, os prejuízos acumulados desde 1960 chegam a aproximadamente US$ 2,1 trilhões, com perdas estimadas em mais de US$ 7,5 bilhões entre março de 2024 e fevereiro de 2025, e US$ 8 bilhões nos doze meses seguintes.

Além das sanções já existentes, Cairo afirmou que Washington passou a aplicar, no início de 2026, um cerco energético para impedir o abastecimento de combustível em Cuba. Essa medida estaria prejudicando a geração de eletricidade e o funcionamento de serviços essenciais. O embaixador questionou o impacto brutal do bloqueio, citando a dificuldade de medir o custo humano da falta de eletricidade e o aumento da mortalidade infantil na ilha, que em menos de sete meses passou de 4 para 9,9 por mil nascidos vivos.

Ajuda humanitária brasileira

Durante a entrevista, o embaixador cubano destacou a solidariedade prestada pelo Brasil diante das dificuldades enfrentadas pela população cubana. Cairo mencionou o envio recente de 48 toneladas de leite em pó, transportadas em dois voos da Força Aérea Brasileira, além de medicamentos. Para o diplomata, a ajuda brasileira é de grande relevância, especialmente diante das restrições ao fornecimento de energia e dos impactos do bloqueio sobre o sistema de saúde e outros serviços básicos de Cuba.