O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu pelo recolhimento temporário das armas de fogo registradas em nome do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), candidato à reeleição. A determinação inclui a suspensão do porte de armas do parlamentar até 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições. A medida foi tomada em resposta a um desentendimento envolvendo Knoploch e o candidato a deputado federal Flávio Serafini (PSOL) durante um evento de campanha na Tijuca, Zona Norte do Rio.

A relatora do caso, Tathiana de Carvalho Costa, autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar o ocorrido. Conforme a decisão, Knoploch deve comparecer à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio em até 24 horas após a intimação para entregar todas as armas em seu nome. O deputado declarou à Justiça Eleitoral possuir sete armas, incluindo um fuzil Taurus T4 calibre 5.56, uma carabina calibre .40, pistolas de calibres 9mm e .45 e um revólver .357 Magnum.

Restrições e acusações

Além da suspensão do porte, Knoploch foi proibido de frequentar ou acessar o comitê de campanha de Serafini, localizado na Rua General Roca, na Tijuca. A restrição também se aplica a atos de campanha do adversário dos quais ele tenha conhecimento. A decisão ainda impede que o deputado mantenha contato com Maria de Lourdes do Carmo, Cintia Teixeira de Souza Silva, Anna Cecília Faro Bonan e Sérgio Augusto Rodrigues Belerique, citados no processo como vítimas, assim como com membros das equipes de campanha de Serafini e Maria de Lourdes. As restrições não impedem a atuação de Knoploch na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nem o contato estritamente institucional com Serafini.

A petição apresentada por Serafini e Maria dos Camelôs, candidata à 2ª suplência do Senado pela Federação Psol/Rede, descreve que Knoploch, acompanhado de mais de 30 apoiadores, foi até o comitê de Serafini na Praça Saens Peña. Relatos à Justiça Eleitoral indicam que o deputado teria se irritado com uma música contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) que estava sendo tocada no local, o que levou a uma discussão. Serafini afirmou que Knoploch usou spray de pimenta e exibiu uma arma após pedir o fim das músicas. Knoploch, por outro lado, alegou ter sido intimidado ao questionar uma música que considerou “de baixo calão” e ofensiva a Flávio Bolsonaro. O incidente foi registrado em vídeo, onde Knoploch aparece levantando a camisa e mostrando a arma, e a ocorrência foi registrada na 19ª Delegacia de Polícia.

Investigação e crimes apontados

Diante do ocorrido, o TRE-RJ autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, sob supervisão do tribunal, com prazo inicial de 30 dias. As diligências incluem depoimentos das vítimas, testemunhas e policiais, identificação de acompanhantes de Knoploch que teriam ofendido as vítimas, perícia dos vídeos, verificação da situação das armas e autorização para porte, e preservação de imagens de câmeras de segurança da região e do metrô.

A Procuradoria Regional Eleitoral indicou possíveis crimes como impedimento do exercício da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria na propaganda eleitoral, lesão corporal, ameaça, desobediência e porte ilegal de arma de fogo. Para a relatora Tathiana de Carvalho Costa, as provas coletadas, como relatos de testemunhas, registro policial, vídeos e a admissão do deputado sobre o uso do spray, fornecem base suficiente para a investigação. A magistrada também considerou o risco de novas infrações antes e durante o período eleitoral, justificando a suspensão do porte e o recolhimento das armas para prevenir novos incidentes.