O TikTok se prepara para um possível impacto financeiro com a chance de o governo federal avançar nesta quarta-feira (23) em uma medida provisória para restringir a atuação e a publicidade de casas de apostas online no país, segundo informações publicadas pela coluna Painel S.A., da Folha de São Paulo.

Nos bastidores, a expectativa é de que o texto possa ser editado antes do primeiro turno das eleições, marcado para daqui a 11 dias. Plataformas digitais acompanham a movimentação em Brasília diante da possibilidade de proibição de anúncios pagos de bets e cassinos online.

efeito na receita das plataformas

Internamente, a avaliação no TikTok é de que a empresa pode perder receita publicitária mesmo sem um banimento total das casas de apostas. A plataforma, porém, não informa quanto arrecada com anúncios de bets legalizadas.

Procurado pela Folha por email e WhatsApp na manhã desta quarta-feira, o TikTok não respondeu aos questionamentos da reportagem. O debate ocorre em meio a uma divisão dentro do governo Lula sobre o alcance da medida.

disputa dentro do governo e reação do setor

Segundo a coluna Painel, Lula e a Secretaria de Comunicação Social defendem uma proposta mais dura, com proibição das apostas online. Já o Ministério da Fazenda resiste e argumenta que uma restrição ampla poderia tirar cerca de R$ 12 bilhões da arrecadação federal.

Empresas de tecnologia e agentes do mercado de redes sociais avaliam que ainda haverá espaço para negociação no Congresso caso a mudança seja feita por medida provisória, que precisa passar pela Câmara e pelo Senado para virar lei.

O setor também sustenta que uma proibição total pode favorecer operadores ilegais, que não pagam impostos e já não conseguem comprar anúncios em redes sociais. Nos bastidores, a expectativa é de que uma eventual medida não leve a um banimento completo das bets, com maior impacto sobre cassinos online e jogos de azar digitais, como o chamado “Tigrinho”.

Patrocínios de casas de apostas a clubes de futebol podem ser mantidos. Lula tem afirmado publicamente que pretende adotar uma medida drástica contra as empresas de apostas online, em meio à pressão de bancos, comércio, indústria e entidades médicas, enquanto clubes reagiram e afirmaram que mudanças mais duras poderiam representar o “fim do futebol brasileiro”.