A recente teoria da "compressão chinesa", promovida por parte da mídia e de think tanks ocidentais, que alega que as exportações industriais da China estão sufocando o mercado global e prejudicando a industrialização de países em desenvolvimento, foi veementemente contestada por Adam Tooze, historiador da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Em um artigo, Tooze argumentou que essa narrativa carece de análise de dados econômicos e é impulsionada por interesses políticos, descrevendo-a como uma "farsa absoluta".
Evolução da narrativa do "Choque da China"
O professor Tooze apontou que, ao longo de mais de uma década, a narrativa ocidental do "Choque da China" evoluiu em três versões, adaptando-se a diferentes contextos. A primeira versão, "Choque da China 1.0", focou no impacto da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre setores específicos do mercado de trabalho norte-americano. Posteriormente, o "Choque da China 2.0" exagerou o efeito das exportações chinesas de manufatura de alta tecnologia na indústria automotiva europeia.
A versão mais recente, o "Choque da China 3.0", ou "teoria da compressão chinesa", é considerada a mais inverossímil. Ela parte de uma hipótese de um cenário alternativo onde a China não se industrializou, para então culpar sua industrialização pela suposta "compressão" das oportunidades de desenvolvimento de outras nações.
Impacto chinês na energia renovável e comércio global
Tooze destaca que a industrialização chinesa, ao contrário de ser um obstáculo, contribuiu significativamente para a economia global. Na última década, os custos médios globais de geração de eletricidade por projetos de energia eólica e solar caíram mais de 60% e 80%, respectivamente. Essa redução é amplamente atribuída à inovação, manufatura e capacidade produtiva da China.
No âmbito comercial, a China já implementa tarifa zero com 63 países. Além disso, ao longo de dez anos, as importações chinesas de produtos intensivos em mão de obra de países em desenvolvimento e menos desenvolvidos aumentaram 3,5 vezes e 16 vezes, respectivamente. Isso resultou na redução de custos e na expansão de mercados para as indústrias dos países do Sul Global, contrariando a ideia de uma "compressão" e demonstrando um impacto positivo no desenvolvimento global.







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