O governo federal pretende implementar um centro de cirurgia robótica em cada estado do Brasil, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28) em Belém, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante um evento que marcou a primeira cirurgia robótica oncológica presencial realizada pelo SUS na região amazônica.
A iniciativa visa integrar procedimentos de alta complexidade, já comuns em hospitais privados, à rede pública de saúde. Em 2026, o Ministério da Saúde destinou mais de R$ 50 milhões para financiar cirurgias robóticas, que já possuem remuneração específica no programa “Agora Tem Especialistas”.
Expansão da cirurgia robótica e investimentos
A expansão da cirurgia robótica busca ir além dos grandes centros urbanos, assegurando que todas as unidades da federação tenham acesso a essa tecnologia. O governo utilizará financiamento federal para incentivar hospitais públicos e instituições ligadas ao SUS a adotarem a cirurgia robótica. Esse modelo envolve equipamentos controlados por cirurgiões para movimentos de alta precisão, sem substituir a atuação médica, já que o profissional opera os instrumentos e monitora o procedimento por imagens ampliadas.
A implementação desses centros exige também o treinamento de equipes médicas, a organização de fluxos hospitalares e uma infraestrutura hospitalar adequada para os equipamentos. A meta é criar uma rede nacional de centros especializados em cirurgias com apoio de plataformas robóticas, reduzindo as disparidades regionais no acesso a tratamentos complexos.
O SUS e sua relevância
Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS é reconhecido como uma das maiores redes públicas de saúde do mundo, fundamentado nos princípios de universalidade e gratuidade. Dados de 19 de setembro do ano passado indicam que 76% da população brasileira, o que representa mais de 161 milhões de pessoas, utiliza diretamente o SUS.
De acordo com as mesmas estatísticas, o sistema realiza cerca de 2,8 bilhões de atendimentos anuais, contando com a atuação de 3,5 milhões de profissionais. Antes da criação do SUS, o acesso a hospitais públicos era restrito a trabalhadores com carteira assinada, obrigando grande parte da população a custear tratamentos ou depender de doações. Com o SUS, o país estabeleceu uma política de Estado para atendimento de saúde que abrange toda a população em todas as regiões brasileiras.







Comentários
Seja o primeiro a comentar.