A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, atualmente candidata ao Senado, manifestou-se cobrando uma apuração rigorosa, transparente e sem restrições sobre as informações que vieram à tona envolvendo o Banco Master. Tebet defendeu publicamente que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a abertura de inquérito para investigar o ministro Alexandre de Moraes. Simultaneamente, exigiu que o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja submetido ao mesmo escrutínio e rigor investigativo, em declaração que agitou o cenário político de Brasília.

A ex-ministra ressaltou a gravidade dos fatos, afirmando que a situação não permite blindagem ou contemporização. Segundo ela, “Não é possível ter dois pesos e duas medidas. Ninguém está acima da lei. A lei deve ser aplicada a qualquer pessoa, doa a quem doer”, expressou, visivelmente indignada com o que foi tornado público. Tebet declarou estar “perplexa e indignada”, compartilhando do sentimento de choque da opinião pública diante da intensidade das denúncias. Para ela, as suspeitas que ligam figuras importantes dos Poderes da República às operações do Banco Master demandam esclarecimentos imediatos e profundos.

Necessidade de apuração transparente

Simone Tebet destacou a dimensão do caso, apontando que as investigações colocam em xeque um esquema financeiro sem precedentes recentes no país. “É importante colocarmos todas as cartas na mesa. Nós estamos falando do maior esquema de corrupção do sistema financeiro da história do Brasil. Nós precisamos saber quem mais está envolvido”, enfatizou. Para ela, a própria preservação da estabilidade democrática e do equilíbrio entre os Poderes depende de uma resposta institucional rápida e sem reservas por parte da Suprema Corte, sendo a aprovação de um inquérito pelo colegiado do STF a saída para uma investigação formal com total transparência.

“Em nome da estabilidade política, para evitarmos uma crise institucional, é importante que o plenário do Supremo Tribunal Federal aceite a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes, onde ele vai sim poder se defender, mas para que a sociedade brasileira saiba exatamente o que está acontecendo.” A ex-ministra fez questão de ressaltar que a medida não antecipa juízo de valor, mas garante o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurando que nada permaneça oculto.

Ramificações e o caso Flávio Bolsonaro

A ex-ministra alertou que a complexidade do caso se estende além do Judiciário, alcançando importantes figuras do Parlamento e da disputa pelo Palácio do Planalto. Tebet mencionou a existência de elementos que pesam diretamente sobre o senador Flávio Bolsonaro. “Nós estamos falando de possível envolvimento de deputados federais, de senadores, de autoridades de todos os Poderes. E nós estamos falando também de vídeo e de áudio confessado e confirmado por um candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro”, pontuou, frisando que a seletividade investigativa seria prejudicial à credibilidade do processo.

Para a ex-ministra, a divulgação de provas e documentos não pode ser guiada por conveniências políticas ou alvos seletivos. “Portanto, é fundamental que o plenário do Supremo leve adiante esse inquérito, onde o ministro vai ter direito à ampla defesa e ao seu contraditório, mas abrindo com transparência. Já que tornou público documentos em relação ao ministro, que torne público também em relação a Flávio Bolsonaro. Não é possível ter dois pesos e duas medidas.” Simone Tebet reiterou seu compromisso com a elucidação irrestrita dos fatos, destacando que apenas a publicidade dos atos processuais e o avanço célere das investigações serão capazes de restabelecer a confiança pública e dissipar a crise. “Eu defendo a transparência absoluta em nome do combate à corrupção. Que tudo venha a público e que o processo dê andamento o mais rápido possível”, concluiu.