O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teceu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um momento em que surgem questionamentos sobre a origem de um pagamento de US$ 1,6 milhão feito por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção do filme 'Dark Horse'. O longa aborda a biografia de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente da República.

Em vez de esclarecer os detalhes do financiamento, o senador afirmou que o ministro Moraes cometeu crimes e que sua permanência no STF é "inadmissível". Ele também ressaltou a necessidade de uma "defesa intransigente do Supremo Tribunal Federal", avaliando que a relação do ex-banqueiro com o ministro é "muito diferente" do seu próprio contato com Vorcaro. Atualmente, o empresário está detido por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Financiamento do filme e o Coaf

Flávio Bolsonaro havia declarado que, em maio de 2025, o dono do Banco Master havia interrompido os pagamentos para o financiamento da produção do filme. No entanto, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um repasse de US$ 1.666.667 realizado em 16 de setembro de 2025 por Vorcaro para o fundo Havengate Development Fund (EUA), responsável pela administração dos recursos destinados a 'Dark Horse'.

De acordo com a revista Piauí, esse pagamento ocorreu meses após a data mencionada pelo senador. A operação teria sido efetuada oito dias depois de Flávio Bolsonaro ter enviado uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas em atraso. Com a transferência apontada pelo Coaf, o valor total destinado por Vorcaro à produção do filme aumentou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, o equivalente a mais de R$ 65 milhões na cotação da época.

Relação entre Vorcaro e Moraes

Documentos e mensagens encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro revelam contatos do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, além de menções a encontros e tratativas relacionadas a um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Esse material foi tornado público após o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo, levantar o sigilo dos documentos do caso.

Um dos pontos cruciais revelados diz respeito a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Metadados de uma minuta encontrada no celular de Vorcaro indicam que um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" fez uma alteração no documento. As conversas também sugerem que Vorcaro atribuía grande importância ao acordo. Além disso, o material apreendido pela PF mostra contatos entre Vorcaro e Moraes antes da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Em uma das mensagens, Vorcaro expressou gratidão ao ministro e sua família, e em outra, solicitou um encontro. Há também indicações de que o banqueiro teria consultado Moraes sobre a possibilidade de sair do país antes de sua detenção.

Os registros divulgados incluem cartões de crédito do Banco Master emitidos para os filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil. As mensagens indicam que a solicitação partiu do administrador do escritório Barci de Moraes e foi diretamente para Vorcaro, que autorizou o pedido. O escritório confirmou a emissão dos cartões, mas afirmou que eles nunca foram utilizados. No entanto, as mensagens preservadas foram redigidas por Vorcaro, sem conter eventuais respostas de Moraes.

Repercussões políticas e jurídicas

No cenário político, a fala de Flávio Bolsonaro intensifica os ataques da direita ao ministro Alexandre de Moraes, que é relator do inquérito da trama golpista no STF. Essa investigação resultou na condenação de Jair Bolsonaro e outras 28 pessoas. Moraes também teve atuação destacada no julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que culminou na condenação de mais de 1,4 mil pessoas.

Juristas como Carol Proner e Pedro Serrano destacaram a importância das investigações e a necessidade de preservar as apurações técnicas dentro do STF. Proner alertou sobre uma "aposta muito perversa de desestabilização institucional do Brasil" por parte de opositores. Já Marcelo Uchôa criticou a cobertura jornalística, comparando o tratamento dado aos casos envolvendo Moraes e Flávio Bolsonaro.