O novo treinador do Corinthians, o holandês Clarence Seedorf, de 50 anos, chegou ao clube nesta quarta-feira (14) e analisou a atual situação da equipe. Após ser goleado por 4 a 1 pelo Palmeiras e acumular oito derrotas consecutivas, o Timão enfrenta a ameaça de rebaixamento. Seedorf descreveu o elenco, que venceu a Copa do Brasil e a Supercopa do Brasil há alguns meses, como um "leão ferido".

"(O elenco) é um leão ferido, que está machucado, e precisam dessa ajuda para se ajustar emocionalmente. Quando os jogadores têm momentos de 'explosão' é porque eles se importam com o que está acontecendo. Prefiro um jogador que 'exploda' do que um que fique igual, mas o grupo precisa demonstrar, não com palavras, mas com ações em campo, que respeita esse clube e os torcedores", declarou o técnico. Ele também alertou: "Quanto ao leão ferido, quem está de frente tem que ter cuidado".

Carreira e expectativas

Apesar de uma carreira discreta como treinador, com passagens pelo Milan, Shenzhen, Deportivo La Coruña e seleção de Camarões (seu último trabalho em 2019), Seedorf teve uma trajetória vitoriosa como jogador. Ele conquistou cinco títulos da Liga dos Campeões e campeonatos nacionais na Espanha, Itália e Holanda. No Brasil, defendeu o Botafogo, onde teve contato com o futebol nacional e enfrentou o Corinthians.

O treinador fez um apelo pelo apoio dos torcedores neste momento desafiador, ressaltando a importância de o elenco recuperar a confiança. "Tenho certeza de que, com os torcedores, podemos criar um ambiente diferente. Na minha vinda, eu falei antes: vivi isso contra o Corinthians e sei o que é jogar contra o Corinthians, conheço o ambiente que se cria aqui", afirmou. Ele pediu respeito, argumentando que nenhum atleta entra em campo para perder, e que é preciso criar condições para que o grupo possa novamente exibir seu talento.

Situação política e foco no campo

Seedorf também abordou o cenário político do Corinthians, negando que sua chegada tenha o objetivo de proteger a diretoria. A gestão alvinegra tem sido alvo de críticas de torcedores e jogadores, além de questionamentos sobre atrasos no pagamento de salários. "Não sei nada sobre esses problemas e não vim aqui para falar de política. Assumi um projeto, uma visão que tem a ver com o campo", disse.

Ele enfatizou que a solução para momentos difíceis é fechar o grupo e focar no trabalho em campo, deixando as questões políticas para quem é responsável por resolvê-las. O técnico reforçou que os problemas extracampo não devem desviar a atenção da equipe da preparação para os jogos. "Precisamos separar as coisas. Uma situação não pode interferir na outra. Temos que focar no trabalho técnico, tático, mental e físico para preparar os jogos e sermos competitivos", concluiu.