Três ex-secretários que atuaram no Ministério da Educação (MEC) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) divulgaram um manifesto declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento, que veio a público nesta semana, expressa críticas às propostas para a área da educação apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.
Os ex-secretários Alexandro Ferreira de Souza, Marco Antônio Barroso Faria e Bernardo Goytacazes de Araújo ocuparam postos no MEC nos primeiros meses da gestão de Bolsonaro, sob o comando do então ministro Ricardo Vélez Rodrigues. No manifesto, eles apontam uma clara divergência entre os projetos educacionais para as eleições de 2026, defendendo a candidatura de Lula e rejeitando as ideias atribuídas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Críticas às propostas educacionais
Entre os pontos questionados pelos ex-secretários estão a militarização de escolas, a implementação de métodos de ensino considerados restritivos e uma concepção de educação voltada unicamente para as necessidades imediatas do mercado de trabalho. O manifesto contrasta esses pontos com um projeto que “reafirma a educação pública como direito, política de Estado e instrumento de justiça social”, posicionando-se contra a subordinação da escola à “suspeição ideológica, à disciplina autoritária e à lógica estreita do mercado”.
Alexandro Ferreira de Souza foi responsável pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), Marco Antônio Barroso Faria liderou a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), e Bernardo Goytacazes de Araújo esteve à frente da Secretaria de Modalidades Especializadas. Esta última secretaria havia sido criada no início do governo Bolsonaro, em substituição à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), que foi restabelecida na atual administração.
Contexto e críticas ao plano
Os três ex-secretários foram indicados pessoalmente por Vélez Rodrigues, de quem foram alunos na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Vélez, o primeiro dos quatro ministros a comandar a pasta durante o governo Bolsonaro, assumiu o MEC em janeiro de 2019 e permaneceu no cargo até o início de abril do mesmo ano.
O manifesto critica a proposta atribuída a Flávio Bolsonaro por, supostamente, centrar a política educacional no combate à doutrinação ideológica, na disciplina rígida e na adaptação às demandas do mercado. Os autores do documento também ressaltam a ausência de compromissos com questões estruturais, como a valorização salarial e a carreira dos professores, o financiamento equitativo, a infraestrutura escolar e a participação social. Eles argumentam que a proposta “reedita e intensifica a concepção que marcou o governo de Jair Bolsonaro: decisões centralizadas, frágil coordenação entre entes federados, suspeição sobre docentes, redução da formação à empregabilidade imediata, militarização como resposta à convivência escolar e ausência de compromissos concretos com carreira, inclusão, financiamento, infraestrutura e participação social”. Na área de Educação Profissional e Tecnológica, os ex-secretários manifestam preocupação com a falta de compromissos com a Rede Federal de Institutos e questionam a ideia de direcionar recursos de agências de fomento à pesquisa, como Capes e CNPq, para iniciativas com foco no impacto produtivo.







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