O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, declarou nesta segunda-feira (28) que Londres não tem planos de efetuar pagamentos de reparações pela sua participação histórica no tráfico de escravizados. A posição surge em meio a notícias de que nações caribenhas poderiam iniciar um processo contra o Reino Unido na Corte Internacional de Justiça (CIJ) buscando compensações.

Segundo informações divulgadas pelo jornal The Telegraph no início do mês, líderes desses países pretendem levar o assunto para discussão na cúpula da Commonwealth, agendada para novembro, que contará com a presença do rei Charles III.

Argumentos e Contexto

Miliband expressou sua opinião ao Politico, afirmando: “Não acho que as reparações sejam a resposta, e já tive essas conversas com alguns de nossos colegas da Commonwealth”. Embora tenha condenado o tráfico de escravizados como um evento “terrível”, o chanceler enfatizou que o foco do governo britânico está em lidar com desafios contemporâneos, como auxiliar países afetados pela pobreza, endividamento e pelas consequências das mudanças climáticas.

Em 2023, Patrick Robinson, que era o principal juiz da CIJ na época, destacou que o Reino Unido não poderia mais desconsiderar os pedidos de reparações feitos por países impactados pelo tráfico transatlântico de escravizados. Um estudo da consultoria norte-americana Brattle Group estimou que o Reino Unido deveria pagar US$ 24 trilhões em reparações aos países afetados.