A General Motors (GM), montadora americana, e sua parceira chinesa SAIC Motor concordaram recentemente em estender a joint venture por mais 20 anos. A decisão, anunciada pelas empresas, reforça a cooperação econômica entre China e Estados Unidos, que vai além da simples venda de carros americanos para consumidores chineses. Agora, a parceria busca impulsionar a transformação tecnológica e ampliar o crescimento, unindo o gigantesco mercado automotivo chinês, a densa cadeia de suprimentos e a experiência em veículos elétricos da SAIC com as marcas globais, a capacidade de engenharia e o acesso a mercados internacionais da GM.

Do “Feito na China” ao “Criado em Conjunto”

Por décadas, o comércio global seguia um modelo simples: um país fabricava e outro comprava. No entanto, as cadeias de suprimentos se tornaram muito mais complexas, e o valor de um produto agora pode vir de vários países ao mesmo tempo, desde o design e a engenharia até a fabricação, softwares, logística e marketing. Essa complexidade torna a cooperação uma necessidade, pois nenhum lado consegue fornecer tudo sozinho.

O Fórum Econômico Mundial estima que a fragmentação comercial e financeira custa à economia global até 307 bilhões de dólares por ano. Por outro lado, a Organização Mundial do Comércio (OMC) calcula que a facilitação do comércio reduziu os custos globais entre 1% e 4%, ajudando a impulsionar o comércio em mais de 230 bilhões de dólares. Além disso, as cadeias de valor globais disseminam tecnologia e conhecimento, incentivam a inovação e melhoram a produtividade, motivo pelo qual as empresas buscam essa integração.

Liu Chunsheng, professor associado da Universidade Central de Finanças e Economia de Pequim, afirmou que a parceria entre GM e SAIC reflete o cerne da cooperação econômica sino-americana: aproveitar forças complementares e criar valor em conjunto. Segundo ele, a colaboração tecnológica entre multinacionais é vital para a alocação global de recursos, e uma desaceleração poderia pesar sobre a inovação em setores como novas energias e veículos inteligentes.

Por que as empresas continuam se conectando

Apesar das restrições, as empresas avaliam se a cooperação gera valor. Uma forma de enxergar isso é pelos investimentos estrangeiros diretos, que levam tecnologia, expertise, capacidade de produção e acesso a novos mercados. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o investimento estrangeiro direto global subiu 6% em 2025, atingindo 1,6 trilhão de dólares. A UNCTAD destaca que esse tipo de investimento ajuda economias a absorver novas tecnologias e a participar de forma mais eficaz nas cadeias de valor globais.

A lógica por trás de parcerias como a da GM com a SAIC é justamente essa: o valor pode surgir da união de diferentes pontos fortes para alcançar um mercado ainda maior. Competição e cooperação coexistem na relação econômica entre China e Estados Unidos, mas quando as forças se complementam, a criação conjunta supera o que cada lado alcançaria sozinho. Nem sempre se trata de quem vence, mas do que podem construir juntos.