Gustavo Munis Santana, de 20 anos, foi morto após ser atingido por 27 tiros disparados por policiais militares na madrugada do último sábado (10), em São Paulo. Conhecido como “Cocada”, o jovem foi homenageado por amigos e familiares, que destacaram sua alegria e gentileza. Quatro policiais foram afastados das atividades operacionais e são investigados.

A abordagem ocorreu no bairro Planalto Paulista, na região de Moema, zona sul da capital paulista. A Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que a conduta dos agentes será apurada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM) e que o caso também é investigado pela Polícia Civil. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi comunicado sobre o ocorrido quase seis horas depois dos fatos.

Amigos e familiares usaram as redes sociais para lamentar a morte de Gustavo, criticar a Polícia Militar e pedir justiça. Amigos de infância o descreveram como uma pessoa alegre, presente e brincalhona. Um deles, Davi Soler, escreveu que os cinco anos de amizade foram os melhores de sua vida. Outro amigo, Felipe Souza, lembrou que Gustavo era jovem aprendiz e estava feliz com o trabalho que havia conquistado, lamentando que “só mais um jovem negro” tivesse perdido a vida tão cedo.

Detalhes da abordagem policial

Gustavo Munis morava com as irmãs e a mãe e não tinha antecedentes criminais. No boletim de ocorrência, informações preliminares da perícia apontam que ele fazia tratamento com antidepressivos desde 2023. A polícia foi acionada por volta das 2h30 da madrugada de sábado para atender a uma ocorrência na Avenida Moreira Guimarães, onde Gustavo estaria “transtornado” e ameaçando tirar a própria vida.

Segundo o relato à Polícia Civil, o rapaz apresentava “postura ameaçadora” e colocava a mão na cintura. Após a chegada da primeira viatura, Gustavo teria corrido, atravessado uma passarela e se abrigado em um imóvel na Alameda dos Guaramomis. Outras três viaturas foram deslocadas para o local. Gustavo teria saído de uma área escura do imóvel, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado para “um objeto escuro”. Em seguida, os policiais teriam disparado 45 tiros, de pistolas calibre .40, com 27 atingindo o jovem. As quatro armas usadas foram apreendidas.

As imagens das câmeras corporais dos agentes registraram a dinâmica da ocorrência. Segundo a perícia, elas mostram Gustavo vindo de uma área escura, estendendo os braços para apontar algo na direção da rua antes dos disparos. O objeto apontado pelo jovem era um aparelho celular preto, que foi apreendido no local.