A Confederação Brasileira de Futebol anunciou medidas para reduzir a presença de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro a partir de 2027. Dos 20 clubes que participam da Série A em 2026, 9 já ultrapassam o teto de estrangeiros que será obrigatório daqui a pouco mais de um ano.

Atualmente, as equipes podem relacionar até 9 jogadores nascidos fora do Brasil por partida. A cota diminuirá para 8 em 2027 e seguirá em redução gradual até chegar a 5 em 2030. Os clubes mantêm liberdade para ter quantos estrangeiros desejarem no elenco, mas apenas um número limitado poderá ser escalado por jogo.

Vasco e Internacional lideram em número de atletas estrangeiros, com 12 cada. Na sequência vêm Botafogo e Athletico-PR, com 11 cada, e Flamengo e Grêmio, com 10. Mirassol é o único da Série A sem nenhum estrangeiro no elenco.

De acordo com a CBF, a medida visa ampliar as oportunidades para jogadores sub-23 brasileiros. O diretor executivo da entidade afirmou que diagnosticou redução no tempo de jogo de atletas jovens brasileiros, enquanto o número de estrangeiros cresceu substancialmente. Apenas Flamengo e Bahia votaram contra a decisão.

Números e origem dos estrangeiros

A Série A soma um total recorde de 161 jogadores estrangeiros nos elencos profissionais, equivalente a cerca de 25% do total de atletas. A Argentina lidera como fornecedora com 49 jogadores, seguida por Uruguai (31) e Colômbia (30). Em 2025, eram 157 estrangeiros na elite do futebol brasileiro.

O técnico Roger Machado reconheceu que a medida pode criar oportunidades para jovens, mas alertou que ela sozinha não será suficiente. Ele apontou necessidade de investimento em base, profissionais qualificados e estrutura adequada para preparar os talentos. Também sugeriu fortalecimento do futebol amador. Já o diretor de uma empresa de gestão de atletas criticou duramente a decisão, argumentando que ela reduzirá intercâmbio e experiências entre diferentes escolas de futebol.