Desde a última sexta-feira (25), cerca de 700 novas plataformas de apostas online ilegais surgiram no Brasil, conforme levantamento do Observatório Independente divulgado pelo Jornal Nacional. O surgimento dessas casas de apostas ocorreu logo após a proibição das bets por medida provisória do governo federal. Dados da plataforma Bet Legal indicam o aparecimento de 58 novos sites não autorizados imediatamente após o anúncio da proibição. No sábado (26), mais 334 páginas foram identificadas, e o número continuou crescendo até a noite de terça-feira (29), atingindo quase 700 endereços ilegais.
As apostas online estão proibidas no país desde a última sexta-feira, encerrando um período de quase três anos após a regulamentação inicial do setor. As empresas que operavam legalmente até então têm permissão para manter seus serviços ativos até 5 de outubro, exclusivamente para permitir que os clientes resgatem saldos remanescentes. Após essa data, os sites e aplicativos serão completamente desativados.
Ações governamentais e desafios
Para combater as ilegalidades, o governo estabeleceu uma força-tarefa de fiscalização. O Ministério da Justiça informou ter solicitado o bloqueio de mais de 5,2 mil sites clandestinos e notificado duas lojas virtuais para remover 186 aplicativos de apostas até 5 de outubro. Além disso, foram identificados 390 perfis e páginas em redes sociais que promoviam apostas ilegais, com a exigência de remoção desse conteúdo.
Outra medida da portaria é a restrição ao sistema financeiro, proibindo a intermediação e o processamento de transações destinadas a plataformas de apostas. Essa regra visa rastrear a movimentação financeira no mercado ilegal. Segundo Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, a medida provisória forneceu instrumentos legais para investigar a origem e o destino do dinheiro, com regulamentações já emitidas pelo Banco Central.
Apesar das ações governamentais, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) criticou a eficácia das medidas. A entidade afirmou que menos da metade dos mais de 5,2 mil sites indicados pelo Executivo tiveram o bloqueio efetivado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para ilustrar a dificuldade em conter essas redes, a ANJL citou dados de seu próprio sistema de monitoramento, que registrou 894 novos sites ilegais apenas na segunda-feira (28), ressaltando a complexidade de frear o surgimento constante de novas páginas.







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