A fadista portuguesa Cristina Branco retorna a Pequim em setembro para uma apresentação musical no Forbidden City Concert Hall. A cantora se apresentará no Festival de Fado 2026, buscando compartilhar com o público chinês uma música que, segundo ela, expressa sentimentos universais que transcendem fronteiras culturais. Esta será a primeira vez que Branco se apresenta na China, apesar de já ter visitado a capital chinesa como turista anteriormente.
Com quase três décadas de carreira e 19 álbuns lançados, Cristina Branco é reconhecida internacionalmente. Sua trajetória, contudo, começou de forma inesperada. Nascida em Almeirim, longe do tradicional cenário do fado lisboeta, a artista se interessava por outros gêneros musicais em sua juventude. O fado entrou em sua vida aos 18 anos, após ganhar um disco de Amália Rodrigues de seu avô. Essa descoberta a fez reconsiderar a percepção que tinha do gênero, associado por ela ao antigo regime.
A universalidade do fado
Para Cristina Branco, o fado não é uma música hermética, mas um gênero em constante evolução, intrinsecamente ligado à sociedade portuguesa. Ela defende que preservar a tradição não impede a inovação, permitindo que novos textos e poemas contemporâneos se integrem às estruturas tradicionais. A cantora também ressalta a universalidade de emoções presentes no fado, como a “saudade”, que ela considera um sentimento partilhado por pessoas em todo o mundo, transcendendo a exclusividade portuguesa.
A artista expressa grande curiosidade sobre como sua música será recebida pelo público chinês e a possibilidade de encontrar pontos de contato entre as culturas portuguesa e chinesa. Ela encara sua apresentação como uma oportunidade de transmitir uma mensagem de amor, diversidade e multiculturalidade, além de apresentar a língua e a cultura portuguesas. Branco também revelou ter recebido propostas para adaptar músicas chinesas para o português, indicando uma potencial colaboração futura com artistas locais.
Carreira e reconhecimento
Depois de iniciar sua carreira profissional já adulta, Cristina Branco construiu um percurso de sucesso. Seu trabalho ganhou projeção nos Países Baixos com o álbum "Cristina Branco in Holland", de 1997. Álbuns como "Murmúrios" (1998) e "Post-Scriptum" (2000) foram premiados com o Prix Choc da revista francesa Le Monde de la Musique. Mais recentemente, a trilogia composta por "Menina" (2016), "Branco" (2018) e "Eva" (2020) destacou sua colaboração com músicos e autores de diversas gerações, com "Menina" sendo eleito o Melhor Disco do Ano pela Sociedade Portuguesa de Autores. A cantora afirma que cantar é, para ela, uma forma de comunicação essencial.






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