O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou ao Conselho de Ética do Senado Federal uma representação pedindo a perda do mandato do senador Flávio Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar. A iniciativa ocorre após revelações sobre a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo contradições nas declarações prestadas por Flávio.

No documento, o PT sustenta que o senador mentiu sobre a natureza e a extensão de seu vínculo com Vorcaro, adotando conduta incompatível com a dignidade do mandato. O partido argumenta que o caso deve ser analisado sob perspectiva político-parlamentar, independentemente de eventual responsabilidade criminal. “Qualquer juízo de culpa criminal será proferido pelo Poder Judiciário”, afirma a representação, defendendo que cabe ao Senado avaliar se a atuação de Flávio violou padrões éticos exigidos de um parlamentar.

Pedido de R$ 134 milhões e mudança de versão

Um dos principais elementos contra Flávio é um áudio em que ele aparece pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro. Inicialmente, o senador negou a existência da negociação; depois, passou a afirmar que buscava financiamento privado. Para o PT, a mudança de versão é relevante para a análise da quebra de decoro, pois envolve transparência nas declarações e possível uso de sua autoridade política em negociações de alto valor.

Flávio também negou manter relação próxima com Vorcaro, mas documentos e registros de encontros citados na representação sugerem proximidade maior do que a admitida, inclusive com contatos após a prisão do banqueiro.

Filme sobre Jair Bolsonaro e precedentes

A representação cita ainda o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que o último pagamento de Vorcaro relacionado ao projeto ocorreu em maio de 2025, mas reportagem revelou um pagamento adicional de US$ 1,6 milhão em setembro do mesmo ano. O PT usa essa divergência para reforçar a acusação de que o senador apresentou informações incompletas, questionando também a falta de divulgação de contratos e detalhes sobre origem e destino dos recursos.

O partido menciona precedentes de cassação no Senado, como os casos dos ex-senadores Luiz Estêvão e Demóstenes Torres, para defender que o Conselho de Ética não precisa atuar como órgão de investigação criminal. O julgamento do mandato tem natureza política e institucional, podendo ocorrer mesmo sem responsabilização na Justiça. Para o PT, as imunidades constitucionais não protegem parlamentares de consequências por comportamentos incompatíveis com o exercício do cargo. Agora, caberá às instâncias do Senado decidir sobre a tramitação do pedido e eventual abertura de processo.