Organizações políticas e movimentos de direitos humanos convocaram mobilizações em Santiago, Chile, contra o Fórum de Madrid, um encontro internacional da extrema direita. Os manifestantes acusam o evento de buscar legitimar discursos autoritários e ataques a direitos sociais, trabalhistas e civis. A reunião, que conta com a presença dos presidentes Javier Milei, da Argentina, e José Antonio Kast, do Chile, além de representantes dos Estados Unidos e da Europa, ocorre entre quinta e sexta-feira na capital chilena, sob intensos protestos de setores progressistas.

Na quarta-feira, integrantes de partidos de esquerda e de organizações defensoras dos direitos humanos já haviam realizado uma manifestação em frente ao Palácio de La Moneda, sede da Presidência chilena. Os participantes classificaram o evento como parte de uma ofensiva internacional que visa tornar aceitáveis posições autoritárias e contrárias a direitos já estabelecidos. Esteban Navarro, secretário político regional do Partido Comunista do Chile, expressou que grupos associados ao ódio e à negação da história democrática não deveriam ter acolhida no país, especialmente em uma nação que já sofreu com a perda da democracia.

Críticas ao Fórum e seus participantes

A manifestação estabeleceu um paralelo entre a realização do fórum e a experiência histórica do Chile, que viveu uma ditadura militar entre 1973 e 1990. A principal crítica dos organizadores foca na atuação transnacional de movimentos ultraconservadores e em suas posturas sobre democracia, direitos civis e políticas sociais. Além de Milei e Kast, a programação inclui a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Sarah Rogers, e o presidente da Heritage Foundation, Kevin Roberts. A fundação norte-americana é uma das organizações conservadoras com representação confirmada no evento.

Também estão previstas as participações da eurodeputada húngara Kinga Gál, conhecida por sua aliança com o ex-primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán, e de representantes do partido espanhol Vox. O Fórum de Madrid, criado em 2020 por Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita espanhol Vox, articula organizações reacionárias da Espanha, dos Estados Unidos e de outros países. O objetivo principal da iniciativa é ampliar a coordenação política entre grupos de direita e extrema direita, particularmente na América Latina e na Europa. A escolha de Santiago como sede coloca o Chile no centro dessa articulação internacional por dois dias, o que motivou a continuidade da mobilização pública por parte de partidos progressistas e entidades de direitos humanos contra a agenda defendida pelos participantes.