Membros do Ministério Público Federal (MPF) estão avaliando que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deveria se declarar suspeito no âmbito do caso Master. A discussão surgiu após a divulgação de mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do banco.

De acordo com um relatório da Polícia Federal, o material indica uma possível ligação entre Gonet e o banqueiro, com intermediação do advogado Ciro Soares, que já atuou na defesa da instituição financeira. Embora não haja indícios de crime atribuídos diretamente ao procurador-geral, alguns procuradores consideram que a suspeição seria uma medida de “bom tom” para preservar a imparcialidade do processo.

Detalhes das Comunicações

O relatório da PF menciona referências a Gonet e possíveis vínculos com Vorcaro, com a intermediação de Ciro Soares. Em 15 de março de 2025, o advogado enviou a Vorcaro uma foto ao lado do procurador-geral da República, seguida da mensagem: “Liga aqui. Ele quer falar com vc”. Logo após, foram registradas quatro chamadas de voz consecutivas entre os telefones de Soares e Vorcaro, cujo conteúdo não foi detalhado.

Outro diálogo revelado aponta que Ciro Soares informou a Vorcaro que Gonet havia perguntado sobre a participação de seu filho em um evento organizado em Londres, solicitação que o ex-dono do Banco Master teria concordado.

Impacto na Imparcialidade

A avaliação de parte dos procuradores é que, mesmo sem a comprovação de um crime, a existência dessas comunicações e contatos entre o procurador-geral da República e uma figura central do caso Master pode afetar a percepção de imparcialidade na condução do processo. Por isso, defendem que a declaração voluntária de suspeição seria uma forma de resguardar a credibilidade institucional do Ministério Público Federal.

O caso Master ganhou novos desdobramentos com a análise das mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal nos celulares ligados a Daniel Vorcaro, que se tornaram importantes para mapear as relações e contatos envolvendo o ex-banqueiro e o banco.