O jurista, filósofo do direito e professor Alysson Mascaro afirmou, em entrevista à TV 247, que a eleição no Brasil, nesta conjuntura, precisa ser tirada da pauta moralista e do discurso anticorrupção. Para ele, o debate central deve ocorrer em torno da soberania nacional.

Crítica ao moralismo na política

Mascaro disse que a ênfase em denúncias, dossiês e em uma leitura moral da política desvia a atenção de temas estruturais. Segundo ele, essa lógica historicamente serve para desestabilizar o país e afastar o debate sobre exploração econômica e modelo de desenvolvimento.

O professor também relacionou esse cenário ao processo que levou à queda da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e afirmou que, dez anos depois, a mesma dinâmica ainda pode influenciar as disputas eleitorais com escândalos e embates institucionais.

Soberania e cenário internacional

Na avaliação do jurista, o eixo das próximas eleições e dos próximos dez anos é a defesa da soberania do Brasil diante das mudanças na geopolítica mundial. Ele afirmou que a perda relativa da hegemonia dos Estados Unidos e o avanço do Sul Global colocam o país diante de uma escolha histórica.

Mascaro disse que a saída passa por uma integração estratégica com os BRICS. Ele citou o Novo Banco de Desenvolvimento, presidido por Dilma Rousseff, como parte desse processo e defendeu que o Brasil aproveite essa conjuntura para se fortalecer no cenário internacional.

Ao final, o professor afirmou que o país tem condições de se desenvolver se não se prender ao que chamou de “moralistas de ocasião” e se assumir a defesa da soberania e da integração do Sul Global.