Após a assinatura da Medida Provisória (MP) que proíbe apostas esportivas e cassinos online no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido alvo de uma série de ataques digitais coordenados. Levantamento recente aponta que publicações impulsionadas na internet buscam associar, de forma equivocada, a Lula a liberação das chamadas bets e plataformas como o 'Jogo do Tigrinho'. A ação do governo ocorre em um cenário de alto endividamento da população e críticas do presidente à exploração da ludopatia.

Desinformação em anúncios pagos em diferentes estados

O monitoramento das redes sociais revelou que, em apenas 48 horas após a edição da MP, sete publicações com conteúdo impreciso foram impulsionadas em seis estados diferentes por figuras políticas e páginas partidárias. No Amazonas, um candidato a deputado federal investiu para veicular um anúncio que atingiu até um milhão de usuários, buscando responsabilizar o presidente pela proliferação dos jogos eletrônicos. Um movimento similar foi identificado no Rio Grande do Sul, onde um candidato a deputado estadual também utilizou recursos para difundir conteúdo que desvirtua a cronologia legislativa.

A narrativa propagada nas redes ignora o histórico de regulamentação do setor de apostas no país. A autorização inicial para sites de apostas esportivas em quota única ocorreu em 2018, durante a gestão do então presidente Michel Temer (MDB). Cassinos online operavam em uma área legal indefinida até dezembro de 2023, quando a administração Lula sancionou uma lei para impor obrigações fiscais e operacionais, exigindo o pagamento de outorgas milionárias para a regularização das empresas, antes da atual proibição total.

Estratégias de oposição impulsionam ataques eleitorais

A ofensiva digital ganhou força com a participação de outros nomes ligados à oposição em diversas regiões do Brasil. No Mato Grosso, candidatos impulsionaram conteúdos que classificaram a intervenção governamental como uma manobra de marketing. Na Paraíba, uma página replicou vídeos de campanha de um político, endossando os ataques. Já no Ceará e no Paraná, parlamentares utilizaram inserções pagas para distorcer os prazos legais da suspensão das atividades.

Essa reação coordenada consolida o debate sobre as apostas virtuais como um ponto central na disputa de narrativas nas redes sociais. A situação ressalta o esforço institucional do governo em reverter os impactos sociais negativos acumulados pelas classes trabalhadoras devido a essas plataformas.