Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, tem seu histórico político e relações questionados. Em 2007, enquanto deputado estadual no Rio de Janeiro, defendeu as milícias na Assembleia Legislativa, pedindo que não fossem estigmatizadas e atribuindo-llhes benefícios. Ele expressou desejo de pagar por segurança particular para proteger seu carro, o que, para críticos, normalizava a cobrança de milicianos, que impõem regras e controlam territórios, com sérias represálias para quem não pode pagar.

Relações com Adriano da Nóbrega e 'rachadinhas'

A trajetória de Flávio Bolsonaro inclui homenagens ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, figura apontada pelo Ministério Público como chefe de milícia e do 'Escritório do Crime'. Em 2003, Flávio propôs uma moção de louvor a Adriano e, em 2005, a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj, mesmo com Adriano já preso por acusação de homicídio. Mulher e mãe de Adriano foram empregadas no gabinete de Flávio, onde surgiram as investigações sobre 'rachadinhas'. O Ministério Público do Rio denunciou Flávio, Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas em 2020 por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa, envolvendo a devolução de parte dos salários de assessores. Embora as provas tenham sido anuladas por decisões superiores e a denúncia arquivada em 2022 sem condenação, críticos ressaltam a importância de recordar o discurso sobre milícias, as homenagens e as nomeações.

Em 2023, Robson Calixto da Fonseca, conhecido como 'Peixe', personagem ligado a milícias e posteriormente condenado por integrar a organização criminosa dos irmãos Brazão, procurou uma assessora de Flávio, então senador, pedindo apoio para um projeto de futebol infantil. Uma emenda parlamentar de R$ 200 mil foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), embora o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha apontado irregularidades nas contratações com o recurso. A assessoria de Flávio afirmou que a emenda seguiu a lei e os critérios do Ministério do Esporte.

Financiamento de filme e propostas políticas

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, esteve envolvido no financiamento do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro. Mensagens e comprovantes indicam que Flávio participou das negociações, cobrando a liberação de recursos que somavam US$ 12,3 milhões, dos US$ 24 milhões negociados. Esses valores foram transferidos pela Entre Investimentos para um fundo no Texas, administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República abriram um inquérito em julho para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento. Flávio inicialmente negou a informação, mas depois confirmou a busca por recursos privados para o filme, negando irregularidades.

Em suas propostas, Flávio Bolsonaro promete construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo de El Salvador, e criar 500 mil vagas em quatro anos, em um plano denominado TREVA. Na economia, sua equipe coordenada por Daniella Marques cita o presidente argentino Javier Milei como 'ótimo exemplo'. Na política, o candidato propõe anistia para Jair Bolsonaro e militares condenados por tentativas de golpe de Estado, incluindo os eventos de 8 de janeiro de 2023.