247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta segunda-feira (21), pela rede social X, que participou de encontros Estados Unidos com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador Bernie Sanders, de Vermont.
A agenda antecede o discurso de Lula na abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU, previsto para esta terça-feira (22).
“Tratamos de temas importantes para o presente e o futuro: medidas pra reduzir o custo de vida e políticas sociais pra garantir oportunidades, comércio e os desafios da democracia para enfrentar a desinformação”, disse Lula.
“Foram reuniões com um desejo em comum: diálogo, articulação e disposição para construir pontes, ampliar parcerias e fortalecer o Brasil no mundo”, acrescentou.
Membro do campo progressista, o atual líder uruguaio foi eleito em novembro de 2024. Foi o candidato da Frente Ampla, apoiada pelo ex-presidente do país sul-americano José Mujica.
Filiado ao Partido Democrata, Mamdani foi o primeiro prefeito muçulmano de Nova York. Outro membro da legenda, Bernie Sanders está no cargo desde 2007. O senador atua em defesa de pautas sociais que reduzem a desigualdade, e mais direitos civis e trabalhistas.
Mais detalhes
O presidente Lula também recebeu Yamandú Orsi durante a programação desta segunda-feira. O presidente uruguaio assumiu o cargo em março de 2025, após a vitória da Frente Ampla nas eleições do país. O comércio esteve entre os assuntos abordados nas reuniões do dia. O encontro com Orsi integra a agenda de contatos entre Brasil e Uruguai durante a passagem das delegações pela Assembleia Geral da ONU.
A reunião com Zohran Mamdani ocorreu em Nova York e teve como um dos temas centrais o custo de vida. Reportagens sobre o encontro também registraram discussões relacionadas à pobreza e a políticas direcionadas à população de menor renda. Foi a primeira reunião entre Lula e Mamdani desde que o prefeito assumiu o comando da cidade.
O encontro ocorreu durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. A passagem de Lula por Nova York concentra reuniões com autoridades e representantes políticos antes de sua participação no debate geral das Nações Unidas.
O terceiro encontro destacado pelo presidente ocorreu com Bernie Sanders, senador por Vermont e uma das principais figuras do campo progressista nos Estados Unidos. Sanders disputou duas vezes as prévias presidenciais do Partido Democrata.
Segundo relatos publicados após o encontro, Lula e Sanders também conversaram sobre questões internacionais, democracia e temas sociais. O presidente brasileiro destacou a disposição para ampliar o diálogo e afirmou que as reuniões compartilharam o objetivo de “construir pontes, ampliar parcerias e fortalecer o Brasil no mundo”.
Agenda antecede discurso na ONU
Lula chegou a Nova York no domingo (20) para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O principal compromisso da viagem ocorre nesta terça-feira, quando o presidente brasileiro fará o discurso de abertura do debate geral.
A participação marcará a décima vez que Lula ocupará a tribuna da Assembleia Geral para o pronunciamento brasileiro na abertura do encontro anual. Antes do discurso, a agenda prevê ainda uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Os encontros com Mamdani, Orsi e Sanders concentraram a agenda política de Lula na véspera da abertura do debate geral e colocaram temas sociais, comércio, democracia e desinformação entre os assuntos discutidos pelo presidente durante sua passagem por Nova York.
Campo progressista e o cenário global
Políticas sociais são defendidas pelo campo progressista (esquerda) na América Latina. Direitos trabalhistas também integram essa agenda na qual há um aumento de investimentos públicos, em comparação com a extrema direita, representada por nomes como o atual presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), e pelos presidentes dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), e da Argentina, Javier Milei (Partido Libertário).
As conversas de Lula com políticos estadunidenses também aconteceram em um contexto de agressões dos EUA contra o Brasil. Só em 2026, o governo Donald Trump aplicou dois tarifaços (um de 25% e outro de 12,5%).
Um motivo para a guerra comercial foi a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal. Magistrados condenaram o político da extrema direita a 27 anos de prisão.
Outra causa para a agressividade dos EUA foi a aproximação do Brasil com três regiões que fazem frentes de resistência à hegemonia estadunidense na economia internacional – China, BRICS e Sul Global.
Também não foi à toa que Lula tratou de democracia. Além de Jair Bolsonaro, outras 28 pessoas foram condenadas no inquérito da trama golpista. Em outra apuração, ministros do STF determinaram mais de 1,4 mil condenações na investigação sobre os atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).
Nos EUA, o trumpismo aderiu ao golpismo, em janeiro de 2021, após o político da extrema direita estadunidense perder a eleição para Joe Biden (Partido Democrata).
Apoiadores de Trump invadiram o Legislativo e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento. Críticas e fake news sobre o Judiciário são uma tática de nomes como Steve Bannon, que foi estrategista do político do Partido Repulicano. Essa estratégia tenta transmitir para a população a mensagem de que a Justiça atrapalha governos, o que, na prática, resulta em tentativas de golpe.
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