247 – O Brasil segue com o desempenho educacional estagnado e em patamares alarmantes, com mais da metade dos estudantes sem atingir o nível básico de aprendizagem. Divulgado nesta terça-feira (8), o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta um cenário de estabilidade no ensino brasileiro desde 2015, mas num nível muito inferior à média internacional.
Na comparação entre os ciclos de 2022 e 2025, os dados mostram oscilações pontuais nas três competências avaliadas pelo exame. A pontuação média brasileira subiu seis pontos em Ciências, passando de 403 para 409, enquanto recuou dois pontos em Leitura (de 410 para 408) e dois pontos em Matemática (de 379 para 377).
Diferença para países ricos e queda global
Embora o desempenho brasileiro se mantenha praticamente nulo em termos de avanço na década, a distância em relação ao bloco dos países ricos diminuiu nos últimos anos. No entanto, o alinhamento ocorre mais pela decadência do rendimento escolar das nações desenvolvidas do que por avanços da educação brasileira. O grupo de 23 países que participam da avaliação desde a sua criação, no ano 2000, atingiu em 2025 o seu menor patamar histórico em todas as disciplinas.
A diferença do Brasil para a média da OCDE em Matemática atualmente é de 92 pontos (377 do Brasil contra 469 da OCDE) e de 58 pontos em Leitura (408 contra 466). Há quase duas décadas, essas distâncias alcançavam 102 e 131 pontos, respectivamente.
O caso da Finlândia ilustra essa desaceleração global: entre 2006 e 2025, o país nórdico perdeu 80 pontos em Matemática (caindo de 548 para 469) e 73 pontos em Leitura (de 547 para 474), registrando o maior recuo da história do exame. No mesmo intervalo, o Brasil avançou 7 pontos em Matemática e 15 em Leitura, mantendo-se contudo em patamares criticamente baixos.
Fatores do declínio da leitura
Segundo o diagnóstico detalhado da OCDE, a queda global nos índices de Leitura decorre de transformações comportamentais, escolares e sociais. O relatório destaca que os jovens enfrentam dificuldade crescente no engajamento com tarefas que exigem esforço prolongado, menor disposição para exames de baixo impacto como o Pisa, além do enfraquecimento da curiosidade e da perseverança.
Também pesaram na perda de rendimento fatores como o agravamento do clima disciplinar em sala de aula, o aumento do absenteísmo, o uso excessivo e sem controle de dispositivos digitais e a diminuição do suporte e acompanhamento familiar.
Defasagem no nível básico de aprendizagem
O grande gargalo da educação brasileira concentra-se na taxa expressiva de estudantes que não alcançam o nível 2 da avaliação — o mínimo esperado para um jovem de 15 anos conseguir atuar plenamente na sociedade.
Em Matemática, apenas 28% dos alunos brasileiros alcançaram ou ultrapassaram esse patamar básico, contra 65% da média da OCDE. O nível básico exige tarefas simples, como calcular a distância entre duas rotas ou converter moedas sem auxílio direto.
Nas outras disciplinas, os patamares brasileiros também demonstram vulnerabilidade:
- Leitura: 49% dos estudantes atingiram o básico no Brasil, contra 69% no bloco da OCDE.
- Ciências: 48% dos alunos alcançaram a pontuação mínima, enquanto a média da OCDE foi de 74%.
No panorama internacional, de 90 países e territórios analisados, o Brasil ostenta a 24ª pior nota em Matemática, a 36ª mais baixa em Leitura e a 24ª em Ciências. Na América Latina, o país fica atrás de Uruguai, Chile e México, posicionando-se à frente apenas de Peru, Argentina e Equador.
Liderança asiática e radiografia do exame
O ciclo de 2025 consolidou a hegemonia dos territórios asiáticos nos lugares mais altos do ranking mundial, posto antes ocupado por países europeus como Finlândia, Estônia e Irlanda. O bloco chinês — composto pelas províncias de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang — obteve as melhores marcas em Matemática e Ciências. Cingapura garantiu a liderança em Leitura, mesmo registrando uma queda pontual em relação a 2022 (com recuo de 12 pontos em Matemática). Na lanterna geral do exame figuram países da América Latina, do Oriente Médio e da África, com Ruanda amargando os menores índices na sua estreia no Pisa.
A amostra global do Pisa 2025 envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países, representando cerca de 33 milhões de jovens de 15 anos. No Brasil, o teste abrangeu 30.140 estudantes de 1.053 escolas, o equivalente a 76% da população nacional nessa faixa etária. Os estudantes realizaram exames dissertativos e de múltipla escolha com duração de duas horas, além de um questionário contextual com foco em suas condições socioeconômicas e de aprendizado.






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