A Polícia Federal (PF) abriu uma nova linha de investigação para apurar a movimentação bilionária de apostas online atribuídas ao advogado Willer Tomaz, que mantém aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A suspeita é de lavagem de dinheiro por meio de operações realizadas na plataforma Blaze. As informações surgiram em documentos de uma disputa judicial iniciada pelo próprio Tomaz contra a empresa.
Segundo reportagem de O Globo, um comprovante anual da Blaze, anexado ao processo, indica que Tomaz acumulou R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas ao longo de 2025, resultando em um saldo líquido negativo de R$ 163,2 milhões no período. Esta nova apuração ocorre após Tomaz ter sido alvo de buscas da PF na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS.
Entenda a nova investigação
O foco da PF é esclarecer se as apostas foram utilizadas para ocultar ou dissimular a origem de bens. A abertura da investigação não configura prova de crime, cabendo aos agentes analisar o percurso dos recursos e identificar possíveis irregularidades. Willer Tomaz nega as suspeitas, afirmando que todas as transações financeiras são rastreáveis e foram realizadas em sua própria conta.
Os valores bilionários registrados pela Blaze não representam depósitos diretos de Tomaz na plataforma. As cifras refletem o volume acumulado de apostas sucessivas, onde o dinheiro obtido em um jogo pode ser reinvestido em outro, elevando os totais de ganhos e perdas. O dado financeiro relevante é a diferença entre essas operações, que, conforme o comprovante de 2025, resultou em um prejuízo de R$ 163,2 milhões.
Disputa judicial e defesa do advogado
Os números vieram à tona porque Willer Tomaz processa a Blaze na Justiça de São Paulo, solicitando R$ 20 milhões e alegando ser viciado em jogos, acusando a plataforma de se aproveitar de sua condição. Foi nesse processo que o comprovante anual de apostas de 2025 foi apresentado, despertando o interesse dos investigadores.
O advogado contestou as informações divulgadas à coluna de Bela Megale, afirmando que “os valores divulgados não correspondem à realidade”. Ele refutou qualquer suspeita de lavagem de dinheiro, declarando que “todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos”. Tomaz também informou que não faria outros comentários por se tratar de um assunto pessoal.
Conexão com outras investigações
A nova investigação se soma a outros episódios envolvendo Tomaz, como a Operação Sem Desconto, onde a PF apurou lavagem de dinheiro relacionada a fraudes previdenciárias. Em um relatório anterior, a Polícia Federal mencionou movimentações financeiras consideradas atípicas de R$ 45,5 milhões atribuídas a Tomaz entre maio e novembro de 2021, embora não tenha estabelecido uma conexão direta com a fraude do INSS naquele momento. Tomaz sempre negou qualquer envolvimento com os fatos investigados na Operação Sem Desconto.
Outro ponto de atenção é o uso de uma aeronave por Flávio Bolsonaro em 2025. Tomaz estava entre os proprietários do avião, que também contava com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O advogado afirmou ter contratado os serviços da empresa responsável pela aeronave como cliente e desconhecia a participação de Vorcaro na sociedade.







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