247 – A possibilidade de questionamento formal da atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master acendeu um alerta no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal. O temor, segundo integrantes das duas instituições, é que uma eventual decisão sobre suspeição ou impedimento do chefe do Ministério Público abra caminho para pedidos de anulação de provas já reunidas na investigação. A informação foi publicada pelo blog de Gustavo Uribe, da CNN Brasil.

A preocupação central é que uma contestação à conduta de Gonet possa fragilizar a apuração e beneficiar investigados, entre eles o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cuja defesa já pediu recentemente a revogação de sua prisão.

Nos bastidores do STF e da PF, a avaliação é que qualquer decisão que coloque em dúvida a imparcialidade do procurador-geral pode ser usada pelas defesas para sustentar nulidades processuais. Na prática, esse tipo de questionamento poderia comprometer parte do material coletado pela Polícia Federal e dificultar o avanço da investigação sobre o Banco Master.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal deve analisar, na sexta-feira (25), as menções a Gonet em mensagens atribuídas a Vorcaro. A crise em torno do procurador-geral ganhou força após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado do ex-banqueiro em Londres, em 2024, episódio que ampliou o desgaste político e institucional do chefe da PGR.

Apesar do desconforto, a tendência apontada nos bastidores é que o Conselho Superior do MPF considere que Gonet mantém imparcialidade para seguir atuando no caso. Esse desfecho reduziria o risco de pedidos de anulação capazes de favorecer investigados no escândalo.

A preocupação também é compartilhada por interlocutores do ministro André Mendonça, relator da apuração sobre o Master no STF. O grupo do magistrado teme que uma eventual decisão desfavorável a Gonet tenha efeitos sobre a investigação policial e seja explorada pelas defesas.

A crise já havia sido agravada por outra decisão de Mendonça: o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida foi posteriormente revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas aumentou as dúvidas sobre a estabilidade dos atos praticados no caso e sobre possíveis alegações futuras de nulidade.

A investigação também sofreu atrasos. A expectativa inicial era de que o relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master fosse concluído em setembro, mas a turbulência interna no Supremo e o adiamento de depoimentos colocaram a apuração em ritmo mais lento.

O caso Master tornou-se um dos focos de tensão entre STF, PGR e PF por envolver mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e menções a autoridades. Para magistrados e investigadores, a prioridade agora é evitar que disputas institucionais contaminem a validade das provas e comprometam a responsabilização dos envolvidos.