247 – A reação de federações e confederações à proposta de criação de uma empresa comercial ligada à Fifa levou Gianni Infantino a recuar e a prometer uma discussão mais ampla sobre a governança da entidade. Em carta enviada a dirigentes do futebol mundial, o presidente da Fifa afirmou estar aberto ao diálogo e defendeu que as federações apresentem modelos para aperfeiçoar a tomada de decisões em grandes projetos estratégicos.
A manifestação de Infantino foi uma resposta às críticas provocadas pelo projeto da Fifa Forward Enterprise, empresa que teria investidores privados como sócios minoritários e ficaria responsável por direitos comerciais e competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A proposta gerou forte resistência, especialmente entre países europeus e integrantes da Concacaf, confederação que reúne América do Norte, América Central e Caribe.
Na carta, Infantino reconheceu que a forma como o projeto veio a público provocou desconfiança entre dirigentes. “Reconheço que, na ausência do contexto completo, isso gerou preocupação e deu a impressão de que decisões já tinham sido tomadas. Não era o caso, claramente. Era uma proposta, não uma decisão, e sempre esteve sujeita às aprovações necessárias do Conselho e das federações membro. Agora foi retirada e não seguirá adiante”, escreveu.
O presidente da Fifa sustentou que a Fifa Forward Enterprise seria uma “sociedade comercial controlada pela Fifa” e negou que a iniciativa significasse transferir poder decisório sobre o futebol a investidores privados. Segundo ele, a proposta “não previa abrir mão do controle da Fifa nem de sua autoridade sobre as decisões esportivas”.
Infantino também afirmou que a Fifa continuará buscando novas formas de ampliar receitas e repasses às federações, mas admitiu que projetos dessa dimensão precisam passar por processos mais claros. “Essa experiência reforçou uma ideia simples: um objetivo valioso deve vir acompanhado de um processo que inspire confiança. As grandes ideias devem ser elaboradas, submetidas a exame e comunicadas por meio de instituições claras e confiáveis”, disse.
O dirigente informou que levará duas propostas à reunião do Conselho da Fifa, marcada para 15 de outubro. A primeira é a possibilidade de encomendar uma avaliação externa e independente sobre o atual modelo de governança da entidade para grandes iniciativas estratégicas. A segunda é abrir uma consulta direta, estruturada e com prazo definido junto às confederações, federações nacionais e demais partes interessadas.
Segundo Infantino, essa consulta deve receber propostas concretas sobre a participação institucional mais cedo no processo de decisão, as funções do presidente, do Bureau, do Conselho e do Congresso da Fifa, além de medidas para ampliar “a transparência, a participação e a prestação de contas” em grandes projetos.
O presidente da entidade citou que ouviu sugestões distintas nas últimas semanas. Entre elas, a ideia de que grandes decisões estratégicas passem a exigir acordo unânime do Bureau antes de avançar ou, em outro modelo, sejam levadas diretamente ao Congresso, composto pelas 211 federações membro.
“Minha função não é prejulgar esse debate. Quem defender um modelo específico deve ter a oportunidade de expor claramente seus argumentos. Quando as mudanças exigirem a aprovação das federações membro, caberá a elas decidir”, afirmou Infantino.
A carta também buscou conter receios de retaliação política dentro da Fifa. Infantino garantiu que os programas de desenvolvimento e solidariedade da entidade, que distribuem parte das receitas às federações nacionais, seguirão os critérios atuais, independentemente da posição adotada por cada associação durante a crise.
“O tratamento dado a nenhuma federação dependerá de sua posição sobre uma proposta ou um assunto institucional”, escreveu o presidente da Fifa. “Concordar não é condição para dialogar, e a discordância nunca deve impedir o respeito mútuo.”
A movimentação ocorre em meio ao período que antecede a próxima eleição presidencial da Fifa. Os dirigentes interessados em disputar o comando da entidade precisam registrar suas candidaturas até 18 de novembro. Infantino já declarou que tentará uma nova reeleição, a última permitida pelo estatuto.
A eleição está prevista para março de 2027, durante o Congresso da Fifa em Rabat, no Marrocos. Até o momento, o bloco de oposição ao dirigente — formado por Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol — ainda não apresentou um nome para disputar o pleito.






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