A reta final da campanha eleitoral foi marcada por uma migração de eleitores de candidaturas de direita menores para Flávio Bolsonaro (PL), o que o fez reduzir a diferença para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do primeiro turno. Uma pesquisa Quaest, divulgada no sábado (3), aponta Lula com 46% dos votos válidos e Flávio com 45%, configurando um empate técnico.
Em entrevista à Central das Eleições, da GloboNews, Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explicou que o levantamento, feito para a Globo e o jornal O Globo, identificou um “movimento de voto útil de direita”. Segundo Nunes, Lula oscilou um ponto, mas o principal movimento capturado foi a consolidação do voto útil da direita. Comparado à pesquisa anterior, de segunda-feira (28), Lula subiu de 39% para 40% nos votos totais, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 34% para 38%, diminuindo a diferença entre eles de cinco para dois pontos percentuais. Candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) apareceram com 3% cada, com Caiado e Cury perdendo um ponto e Renan mantendo-se estável. Os indecisos caíram de 5% para 3%.
Eleitores migram para Flávio
Felipe Nunes destacou que as candidaturas menores à direita funcionaram como uma “caixa d’água de votos” ou um “reservatório” para Flávio Bolsonaro. Essa reserva seria ativada à medida que o candidato do PL mostrasse competitividade contra Lula. Dados da própria Quaest reforçam essa análise: em um possível segundo turno entre Lula e Flávio, 60% dos eleitores de Renan Santos votariam em Flávio, 43% dos apoiadores de Ronaldo Caiado fariam o mesmo, e 34% dos eleitores de Augusto Cury prefeririam Flávio. Essa movimentação ocorre mesmo com ambos os principais candidatos possuindo eleitorados consolidados, com 92% dos eleitores de Lula e 89% dos de Flávio Bolsonaro afirmando que suas escolhas são definitivas no primeiro turno.
Possibilidade de Flávio à frente nas urnas
Felipe Nunes avalia que a migração observada pode se intensificar no domingo, levando a um resultado diferente do apontado pela pesquisa. Ele não descartaria a possibilidade de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno numericamente à frente de Lula, caso mais eleitores de outras candidaturas optem pelo voto útil. "Há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma”, afirmou Nunes.
Apesar dessa projeção, o diretor da Quaest considera que o cenário mais provável ainda é o de um segundo turno. Isso se deve ao fato de que uma parcela considerável dos eleitores das candidaturas menores não pretende mudar seu voto. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, 75% dizem que sua escolha está definida, enquanto o percentual é de 68% para os apoiadores de Augusto Cury e de 66% para os de Renan Santos.
No cenário de votos totais, que inclui indecisos e votos brancos/nulos, a pesquisa mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 38%. Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 3% cada. Os indecisos também representam 3% do eleitorado, e 10% afirmaram que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão.
A pesquisa Quaest ouviu 3.702 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026.






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