O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está considerando indicar Geraldo Alckmin como futuro ministro da Fazenda, caso seja reeleito. A medida buscaria fortalecer a confiança na gestão econômica e atrair apoio de eleitores de centro no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A proposta, que permitiria a Alckmin conciliar a Vice-Presidência com a liderança da Fazenda a partir de 2027, ainda está em análise.

A possível nomeação surge após o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% de Lula, com 99,99% das urnas apuradas, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O segundo turno entre os dois candidatos está marcado para 25 de outubro.

Impacto político e econômico da possível indicação

A escolha de Alckmin para a pasta da Fazenda é vista como um sinal de estabilidade para os mercados. A expectativa é que, ao acumular a Vice-Presidência, ele teria maior peso político e autonomia na condução da política econômica, além de uma posição mais consolidada no governo. Além do aspecto econômico, a estratégia também visa conquistar eleitores de centro, que demonstram preocupação com a situação fiscal do país, mas que podem ter ressalvas em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Lula já havia manifestado publicamente a intenção de destacar o histórico administrativo de Alckmin durante a campanha. Após a apuração do primeiro turno, o presidente enfatizou a credibilidade de ambos em questões fiscais, citando a atuação de Alckmin no governo de São Paulo e as políticas econômicas de suas próprias gestões anteriores. Alckmin, que governou São Paulo por quatro mandatos, foi adversário de Lula na eleição presidencial de 2006 e se tornou seu vice na chapa vitoriosa de 2022. Ele também liderou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nos três primeiros anos do atual governo, deixando o cargo em abril de 2026 para cumprir as regras de desincompatibilização eleitoral.

Reação do mercado e cenário eleitoral

A discussão sobre a nomeação de Alckmin para a Fazenda ganhou força após a reação do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno. Investidores passaram a considerar maiores chances de mudanças na política fiscal, especialmente diante da vantagem de Flávio Bolsonaro e do fortalecimento da direita no Congresso Nacional. O desempenho eleitoral no primeiro turno divergiu das projeções de pesquisas recentes. Um levantamento do Datafolha, por exemplo, indicava Lula com 45% e Flávio com 42% dos votos válidos, em um empate técnico dentro da margem de erro. No entanto, Flávio Bolsonaro terminou a votação com uma vantagem de cerca de 1,9 ponto percentual sobre Lula, configurando a menor diferença já registrada entre os dois candidatos mais votados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.