Uma rede de perfis-fantasmas nas redes sociais realizou uma operação para divulgar desinformação e impulsionar conteúdo falso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) após as manifestações de 7 de setembro. A ação, identificada em reportagem, desrespeitou as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), utilizando inteligência artificial e financiamento oculto para atingir milhões de usuários e, em seguida, remover as publicações rapidamente.
As postagens foram divulgadas entre os dias 8 e 9 de setembro, permanecendo ativas por poucas horas antes da exclusão das contas. Essa tática, adaptada do marketing digital, envolve a criação de perfis secundários para direcionar tráfego e, no contexto eleitoral, injeta grandes quantias em dinheiro para impulsionar conteúdo, alcançando vasta audiência e dificultando a identificação da autoria e a responsabilização das campanhas envolvidas.
Conteúdo das Fake News
Um dos conteúdos impulsionados sem as devidas identificações de IA ou CNPJ de campanha, como exigido pela legislação eleitoral, foi um vídeo antigo de Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. No vídeo, gravado provavelmente em junho, Gaspar afirma que “Lula é o pai do escândalo do Master”. A veiculação, meses depois, buscou criar uma falsa narrativa de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria sido afastado da liderança do governo no Senado recentemente, omitindo que ele já havia deixado o cargo há mais de dois meses.
Esta publicação recebeu um investimento de até US$ 100 para impulsionamento no Instagram, ficando online por duas horas e alcançando mais de um milhão de usuários antes de ser apagada.
Outras Peças de Desinformação
Outra peça falsa, gerada por inteligência artificial, surgiu em 8 de setembro, fazendo alusão ao filme O Poderoso Chefão. A animação colocava o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula, o ex-ministro Rui Costa (PT-BA) e o senador Jaques Wagner como figuras centrais, com a narração classificando o PT como o “eixo central” do escândalo financeiro. A peça omitia que as investigações do caso envolvem políticos de diversos partidos, incluindo Flávio Bolsonaro.
Este conteúdo também violou a legislação eleitoral ao não apresentar o rótulo de uso de inteligência artificial nem o CNPJ responsável. O impulsionamento inicial, feito em reais, alcançou cerca de 80 mil usuários em duas horas. No dia seguinte, 9 de setembro, a mesma peça foi republicada por outro perfil-fantasma, com novo investimento em dólares, permanecendo ativa por mais tempo e ultrapassando um milhão de visualizações.
Especialistas alertam que essa prática de criar e apagar contas de forma rápida e financiada configura uma ofensa à honra de adversários políticos. Acredita-se que tais ações possam ter sido orquestradas por terceiros para beneficiar candidaturas de forma irregular, burlando os mecanismos de fiscalização da Justiça Eleitoral e a integridade do processo eleitoral.







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