A Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCS) foi apontada como um ponto de inflexão para uma era pós-Ocidente, segundo o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar. Em entrevista ao cientista político Glenn Diesen, Escobar detalhou os desdobramentos do encontro, ressaltando que ele solidifica a transição para uma nova arquitetura global de segurança e cooperação econômica, em um contexto de rápido deslocamento do centro de gravidade geopolítico para o Leste e o Sul Global.

Para o analista, a OCS transcendeu o papel de um simples fórum regional de segurança, tornando-se o pilar da integração eurasiana. A articulação entre potências como China, Rússia e Índia, juntamente com a reaproximação e expansão com países do Sul Global, estabelece uma alternativa concreta ao modelo imposto por instituições financeiras e diplomáticas controladas por Washington e Bruxelas.

Pilares da Nova Ordem Global

Pepe Escobar destacou alguns pontos centrais que sustentam essa nova ordem pós-ocidental. Entre eles, a desdolarização e a busca pela soberania financeira ganham destaque, com a aceleração do uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do bloco. Isso visa reduzir a vulnerabilidade a sanções unilaterais e enfraquecer o papel do dólar como ferramenta de coerção internacional.

Outro pilar é a grande integração eurasiana, que converge a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), liderada pela China, e a União Econômica Eurasiana (UEE). Essa convergência está tecendo redes de infraestrutura, logística e energia que conectam todo o continente. Além disso, a segurança baseada no respeito mútuo se manifesta em um modelo diplomático focado na não ingerência em assuntos internos e no consenso, em contraste com a lógica de confrontação de blocos promovida pela OTAN.

Protagonismo do Sul Global e Multilateralismo

O fortalecimento da OCS, conforme Escobar, está em simbiose com o crescimento e a expansão dos BRICS. Juntos, esses blocos representam a busca coletiva das nações em desenvolvimento por uma governança global que seja mais representativa, soberana e multipolar. A emergência do mundo pós-ocidental, portanto, não é apenas uma disputa de influência, mas marca o nascimento de uma nova ordem internacional fundamentada no multilateralismo real.