O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar avaliou as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Irã e os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. Em participação no programa Judging Freedom, comandado pelo juiz Andrew Napolitano, Escobar classificou as ações americanas como demonstrações de “desespero”, argumentando que a estratégia de “escalada militar e sanções unilaterais” prejudica as relações diplomáticas e os mercados ocidentais.
Impacto das sanções e a frota paralela
Escobar descreveu as sanções econômicas do governo dos EUA como uma “estupidez econômica”, especialmente a tentativa de restringir as exportações de energia iraniana. Ele explicou que o Irã opera uma vasta “frota petroleira paralela”, que já atua fora dos registros e seguros internacionais convencionais.
Segundo o analista, uma possível apreensão de petroleiros por parte dos EUA poderia provocar retaliações iranianas contra navios ocidentais. Como as embarcações ocidentais estão integradas ao sistema financeiro e de seguros internacional, a paralisação de um único petroleiro no Golfo poderia gerar um efeito dominó, elevando os prêmios de risco globalmente. Escobar também ressaltou que o principal comprador do petróleo iraniano é a China, que efetua os pagamentos em petroyuan, indicando que as sanções americanas, na prática, visam conter Pequim – uma estratégia que a China já neutralizou ao proibir suas empresas de seguir determinações de jurisdições estrangeiras.
Ascensão do bloco eurasiano
Enquanto os EUA utilizam métodos coercitivos, o eixo eurasiano consolida alternativas institucionais. A Organização para Cooperação de Xangai (OCS), fundada em 2001, evoluiu de um fórum regional de segurança para um pilar de governança econômica global, ao lado dos BRICS. A OCS criou um Novo Banco de Desenvolvimento, independente do dólar, do sistema SWIFT e das pressões do Federal Reserve. Além disso, foi estabelecido um consórcio de energia entre os maiores produtores do continente eurasiano. Outro ponto destacado é a “Rota da Seda Artística”, com investimentos de Rússia e China na navegação da Rota do Mar do Norte, que permite o trânsito comercial durante todo o ano, contornando rotas controladas pelo Ocidente, como o Canal de Suez.
Escobar concluiu que os formuladores de políticas ocidentais parecem desconsiderar a nova realidade geoeconômica mundial. O centro de gravidade da riqueza e do poder industrial se deslocou para o Leste, e as potências asiáticas e países emergentes não dependem mais do Tesouro dos EUA ou do sistema bancário ocidental para suas transações comerciais, garantindo autonomia econômica diante das pressões de Washington.







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