Em uma discussão sobre os rumos econômicos do Brasil, o professor e pesquisador Elias Jabbour defendeu a necessidade urgente de um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado à reindustrialização. Durante sua participação no programa “Conversas com Hildegard Angel”, Jabbour alertou que a ausência de uma política de reindustrialização radical pode comprometer o futuro do país como nação, transformando-o em uma mera expressão geográfica subordinada.

Ele enfatizou que o Brasil enfrenta um descompasso significativo em relação a nações desenvolvidas e à China no que tange a ciência, inovação e tecnologias avançadas, como semicondutores, inteligência artificial e transição energética. Jabbour destacou a alta taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro, onde cerca de 40% da população economicamente ativa está submetida a condições precárias, sem perspectivas de mobilidade social. Segundo ele, o enfrentamento do fascismo e a garantia de um futuro promissor só são possíveis em países industriais.

Reconstrução do trabalho e sindicatos

Jabbour também abordou a questão do trabalho, criticando a retórica do “empreendedorismo” precarizado e o enfraquecimento das estruturas sindicais. Ele defendeu que um “nacionalismo high-tech 4.0” depende de uma classe trabalhadora organizada e bem remunerada. Nesse sentido, propôs a revisão da reforma trabalhista de 2016, especialmente no que se refere à tentativa de desarticulação financeira e política dos sindicatos, argumentando que nenhuma civilização consistente se desenvolveu sem entidades sindicais e partidos operários fortes.

Ao analisar o modelo chinês, fruto de mais de três décadas de estudos, Jabbour refutou visões colonizadas sobre a economia do país asiático. Ele criticou a esquerda ocidental por ter, em sua visão, abandonado pautas anti-imperialistas e a centralidade do trabalho. O professor citou a China como exemplo de “entrega real de futuro, planejamento de longo prazo e prosperidade compartilhada”, mencionando a construção de vastas redes ferroviárias, a erradicação da pobreza para centenas de milhões de pessoas e a transição urbana sem favelização em larga escala, ancorada na propriedade pública da terra e no controle estatal do sistema financeiro.

Desafios fiscais e independência programática

Em relação à sua possível atuação parlamentar, Jabbour indicou que, em um eventual governo Lula, integraria a base de apoio, mas com independência para questionar o que considera obstáculos ao desenvolvimento. Ele mencionou o combate ao arcabouço fiscal e às travas que impedem o investimento, além de defender a revisão das metas de inflação e a retomada da diferenciação constitucional entre capital nacional e estrangeiro.

Diante de um governo de extrema-direita, Jabbour assegurou que faria uma oposição intransigente e radical sob a ótica nacionalista, buscando demonstrar o caráter antinacional do bolsonarismo. Ele concluiu enfatizando a importância do engajamento político da juventude em torno de projetos estruturais, conectando temas como a redução da jornada de trabalho, segurança pública e industrialização como formas de combater o avanço do crime organizado e planejar o destino do Brasil.