O jornalista e escritor Gilvan Ribeiro, em entrevista ao programa Cessar-fogo da TV 247, que será exibida amanhã, 4 de setembro, às 21h, revelou detalhes sobre os surtos psicóticos vivenciados pelo ex-jogador Casagrande. As experiências serviram de base para o best-seller “Casagrande e seus demônios”, lançado em 2013 pela Editora Planeta. Segundo Ribeiro, o uso de cocaína e a leitura de um livro sobre Lúcifer, figura pela qual Casagrande tinha grande fascinação, desencadearam as alucinações que quase custaram sua vida.

Ribeiro contou que conheceu Casagrande ainda na infância e, anos mais tarde, estreitou a relação durante sua carreira como repórter. Após a aposentadoria do jogador, o jornalista o incentivou a iniciar sua trajetória como comentarista na ESPN Brasil. A ideia de uma biografia surgiu após a trágica morte de Marcelo Fromer, dos Titãs, que já havia iniciado entrevistas com Casagrande para o mesmo projeto. Inicialmente, Ribeiro recusou a proposta devido ao foco nas drogas, temendo dificuldades de publicação.

A espiral das drogas e as visões demoníacas

A situação de Casagrande se agravou com o aumento do consumo de drogas. Ele começou a ter surtos psicóticos, passando noites sem dormir ou comer. Durante esse período, passou a usar heroína misturada com cocaína, chegando a ter uma convulsão após uma overdose. Após ser internado e receber alta, intensificou o uso de entorpecentes.

A fascinação por Lúcifer, que Casagrande considerava o “primeiro revolucionário”, teve um papel central nos delírios. Um livro de luxo sobre demônios, dado como presente, desencadeou visões aterrorizantes. Os “demônios saíram do livro” e se materializaram em sua casa. Casagrande chegou a destruir o apartamento procurando o corpo de uma mulher que, em suas alucinações, teria sido assassinada no local. Sua mãe e um padre o encontraram desesperado, com um crucifixo na mão.

Da perseguição à redenção

As visões se intensificaram após a bênção do apartamento. Demônios “gigantescos e horrendos” passaram a persegui-lo, levando-o a fugir para um hotel. A perseguição culminou em um acidente de carro, quando dormiu ao volante, mas sobreviveu. Após um ano internado em uma clínica, Gilvan Ribeiro viu a oportunidade de publicar a biografia, tornando a história pública.

Mesmo após o lançamento do livro, Casagrande teve recaídas. Em 2014 e 2015, as visões reapareceram, agora com formas humanas, incluindo uma mulher com “risada demoníaca” e um “homem ruivo” que seria o chefe dos demônios. Em um momento de desespero, acuado pelos monstros e prestes a se jogar de uma janela, ele clamou por Jesus, e as visões desapareceram. A entrevista completa com Gilvan Ribeiro será transmitida amanhã, sexta-feira, 4 de setembro, às 21h00 na TV 247.