O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou que valores do banqueiro Daniel Vorcaro foram direcionados para o Havengate Development Fund LP, um fundo com sede no Texas, Estados Unidos, e gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro. Essa declaração faz parte de um acordo de colaboração premiada, que ainda aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi inicialmente divulgada e confirmada por outros veículos de comunicação.
Segundo Freixo Júnior, os pagamentos foram solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro, com a justificativa de que os recursos seriam empregados na produção de “Dark Horse”, um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Proprietário da Entre Investimentos, Freixo Júnior entregou aos investigadores documentos detalhando os repasses ao Havengate. Ele indicou que o dinheiro provinha de uma estrutura financeira compartilhada com Vorcaro, descrita como uma espécie de conta conjunta, usada para efetuar pagamentos definidos pelo banqueiro. O empresário também apresentou comprovantes de operações de câmbio que viabilizaram o envio dos valores ao exterior.
Investigação e Destino dos Valores
Esses registros podem auxiliar as autoridades na verificação da origem do dinheiro e no avanço de uma investigação sobre possível evasão de divisas. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e divulgadas anteriormente indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro, em 2025, 24 milhões de dólares para a produção do filme. Planilhas e registros financeiros apontaram o pagamento de pelo menos 10,6 milhões de dólares, o que na época equivalia a cerca de 61 milhões de reais. As conversas também mostraram que Flávio Bolsonaro forneceu posteriormente os dados da conta do Havengate. Em uma das mensagens, Vorcaro informou que os pagamentos seriam realizados pela Entre Investimentos, de Freixo Júnior.
Um comprovante bancário de 13 de fevereiro de 2025 registra uma transferência de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos e Participações para o Havengate, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A operação foi intermediada pelo Banco BS2 e teve como destino uma conta vinculada ao JPMorgan Chase Bank. A Polícia Federal iniciou um inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, para apurar possíveis crimes nas transferências. A investigação também busca esclarecer se parte dos recursos foi utilizada para cobrir despesas da estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Freixo Júnior, em seus depoimentos, alegou desconhecer a destinação final do dinheiro, afirmando ter apenas cumprido ordens de Vorcaro e atribuindo ao banqueiro a origem dos recursos enviados ao Havengate.
A defesa de Freixo Júnior e a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestaram sobre o ocorrido. Freixo Júnior atuava como operador financeiro de Vorcaro e assinou o acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento foi encaminhado na semana passada ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF. O gabinete deve agendar uma audiência para avaliar a espontaneidade do acordo antes que Mendonça decida sobre sua homologação, procedimento que dará validade jurídica às informações como prova.







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