A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre diálogos em que usuários teriam manifestado intenções de atacar ou ameaçar o presidente Lula. A empresa informou às autoridades que os conteúdos indicavam um “risco de morte ou lesão física grave”, conforme documentos.
No início de outubro, a PF encaminhou a documentação ao Ministério da Justiça, que avaliará a abertura de dois inquéritos. Um deles seria por crimes de ameaça e injúria, e o outro, especificamente por ameaça contra o presidente.
A OpenAI declarou que realiza esses alertas às autoridades quando conversas na plataforma sugerem um risco real de dano a outras pessoas. A empresa também notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seguindo seu plano de conformidade eleitoral.
Detalhes de uma das ameaças
Um dos casos envolve mensagens enviadas ao ChatGPT por um homem desde janeiro. Em um dos trechos, ele descreveu ter visto o presidente Lula em um palco de campanha eleitoral, a cerca de 400 metros de distância. Em seguida, o usuário expressou o desejo de atirar na cabeça do candidato e questionou sobre as consequências de tal ato, além de ter enviado uma foto de um local com bom ângulo para um ataque. A OpenAI ressaltou que, apesar de o usuário negar ter uma arma, ele manifestou o desejo de usar um fuzil de precisão, fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta.
O mesmo homem já havia compartilhado fotos de armas brancas, manifestado intenção de agredir parentes, compartilhado símbolos nazistas e falado em realizar um massacre se tivesse recursos financeiros. Ele também enviou uma receita de explosivo e mencionou ataques a centros médicos.
A PF considerou que o material da OpenAI evidencia ameaças de violência, incluindo ao presidente Lula, além de comentários sobre armas de fogo e armas brancas, “fantasias violentas” e manifestações favoráveis a regimes autoritários.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para decisão sobre a abertura de inquérito pelo crime de ameaça.
Em junho, um alerta da OpenAI levou à prisão de um homem no Espírito Santo, acusado de usar o ChatGPT para planejar a morte do próprio filho. A empresa havia reportado ao FBI nos Estados Unidos as pesquisas do usuário relacionadas à intenção de matar o filho, e a informação foi repassada às autoridades brasileiras.







Comentários
Seja o primeiro a comentar.