A abstenção eleitoral em Londrina quase dobrou entre 2014 e 2022, refletindo uma tendência nacional de afastamento das urnas. Se uma década atrás menos de um em cada dez eleitores faltava ao primeiro turno, em 2022 esse número chegou a quase um em cada cinco, mostrando um crescimento significativo no desinteresse pelo voto.

Especialistas apontam múltiplos fatores por trás dessa mudança de comportamento. A desconfiança na política e a dificuldade de eleitores se identificarem com candidatos aparecem como motivações centrais para quem decide não comparecer às urnas. Para muitos votantes, votar deixou de representar uma escolha capaz de gerar mudanças concretas na realidade.

O excesso de informações nas redes sociais também contribui para o fenômeno. A circulação massiva de conteúdos, nem sempre precisos ou verificados, pode causar confusão e desestímulo entre o eleitorado, levando à percepção de que o voto tem cada vez menos impacto sobre as decisões políticas e os rumos do país.

Os números de Londrina acompanham uma transformação mais ampla no engajamento político do eleitorado. A combinação de ceticismo institucional, dificuldade na escolha entre candidatos e a quantidade de informações circulando simultaneamente cria um cenário onde comparecer às urnas deixa de parecer prioritário para parcela crescente dos votantes.