Nesta quarta-feira (30), o deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) manifestou apoio à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou à Polícia Federal (PF) a abertura de uma investigação sobre ataques a imagens religiosas em diversas regiões do Brasil. Entre os alvos dos ataques estão representações de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

Freixo destacou que “o ódio e a intolerância se tornaram marcas registradas do imaginário bolsonarista. Precisamos combater”. Ele ressaltou a importância de não permitir que a padroeira do Brasil seja atacada, independentemente do motivo, afirmando que “isso não é fake news”. O político correlacionou os ataques com uma preocupação crescente sobre a possibilidade de a santa deixar de ser a padroeira do país, citando projetos e declarações de aliados da família Bolsonaro.

Investigação de ataques e crimes de intolerância

A decisão do ministro Flávio Dino, publicada também nesta quarta-feira (30), solicita a investigação de uma série de ataques a imagens, igrejas, terreiros e outros estabelecimentos religiosos. Dino apontou indícios de crimes como ultraje a culto, preconceito religioso, ameaça, dano, incêndio e violação de domicílio.

O ministro afirmou ter recebido relatos de ataques a imagens religiosas em várias partes do Brasil nos últimos meses, envolvendo tanto imagens católicas quanto espaços de religiões de matriz africana. Casos foram registrados em Maceió, Londrina, Rio Grande do Sul, Salvador, Belo Horizonte e Cuiabá. Em Cuiabá, por exemplo, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada quebrada. Segundo Dino, a repercussão nacional e a possível natureza de crimes contra direitos humanos justificam a atuação da Polícia Federal.

Repercussões políticas e defesa da convivência religiosa

Marcelo Freixo defendeu a investigação como uma medida prudente, importante e urgente para combater a intolerância e a violência religiosa no Brasil. “Isso é combustível que alimenta intolerância e violência religiosa no Brasil”, declarou. Ele enfatizou o desejo por um Brasil livre de intolerância e violência, onde todas as religiões possam coexistir pacificamente.

A controvérsia também envolveu o então candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, que negou qualquer intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Sua equipe classificou a associação como falsa e acionou a Justiça Eleitoral. Freixo questionou a resposta do candidato, sustentando que os vínculos políticos e religiosos em torno do tema merecem atenção pública.

A Polícia Federal agora será responsável por conduzir as diligências determinadas pelo STF. O objetivo é verificar se os incidentes registrados em diferentes estados estão interligados, identificar os responsáveis pelos atos e apurar a ocorrência dos crimes mencionados na decisão do ministro Flávio Dino.