Em declaração concedida neste sábado (3), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, assegurou que o pleito eleitoral, agendado para este domingo (4), não está sob ameaça de interferências estrangeiras ou de ações de organizações criminosas. O ministro informou que as instituições que colaboram com a Justiça Eleitoral não detectaram indícios concretos que pudessem comprometer o processo de votação.

Nunes Marques, em entrevista, alertou a população sobre a propagação de notícias falsas, que têm potencial para desestabilizar as eleições. Ele ressaltou a importância de os eleitores agirem com cautela diante do conteúdo divulgado em redes sociais e outras plataformas, especialmente na véspera da votação. O ministro enfatizou que o eleitor não deve acreditar em informações que visam unicamente gerar tumulto e desestabilizar a realização do pleito, pois isso significa privar os cidadãos de um de seus direitos mais fundamentais.

Fiscalização e Segurança do Processo

O ministro destacou as medidas de fiscalização implementadas, como a criação de um espaço dedicado aos partidos políticos, onde os representantes das legendas podem acompanhar o andamento da votação. O TSE também monitorará em tempo real possíveis eventos climáticos que possam dificultar o acesso dos eleitores aos locais de votação. Cerca de mil jornalistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros, foram credenciados para cobrir a votação e a apuração. Além disso, o Tribunal mantém parcerias com plataformas digitais para otimizar o combate à desinformação eleitoral.

Nunes Marques reiterou a relevância do voto, afirmando que o eleitor deve ter convicção de que seu voto possui uma importância significativa para definir o futuro da nação. Neste domingo, os brasileiros escolherão representantes para os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno está previsto para 4 de outubro, e um eventual segundo turno para 25 de outubro, conforme o calendário oficial da Justiça Eleitoral.

Verificação e Zerésima dos Sistemas

Ainda neste sábado, o TSE conduziu uma cerimônia pública para verificar a integridade e a autenticidade dos sistemas de transmissão, recebimento e totalização dos resultados. A conferência confirmou que os programas utilizados são os mesmos que foram inspecionados anteriormente pelas entidades fiscalizadoras, assinados digitalmente e lacrados. Quatro sistemas foram verificados: Transportador Web, Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos), Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos) e Sistema de Gerenciamento da Totalização (Sistot).

Após esse procedimento, foi emitida a “zerésima” do banco de dados de totalização da eleição presidencial, documento que atesta a ausência de votos pré-registrados para os cargos de presidente e vice-presidente da República. O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, explicou que o processo utiliza assinaturas e resumos digitais para verificar a autenticidade dos arquivos dos sistemas. Qualquer alteração posterior nos programas resultaria na modificação desses identificadores digitais.

Antes do início da votação neste domingo, as próprias urnas eletrônicas também emitirão suas zerésimas, comprovando a inexistência de votos armazenados antes da abertura de cada seção eleitoral. Este procedimento faz parte dos mecanismos de fiscalização e auditoria da Justiça Eleitoral. Os sistemas utilizados nas eleições foram assinados digitalmente e lacrados em 4 de setembro, após a conclusão de seu desenvolvimento, com a participação de representantes do TSE, da OAB-DF, do Ministério Público Federal e do Confea.