247 – O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, saiu em defesa pública do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, nesta terça-feira (8), em meio à crise institucional provocada pela decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou seu afastamento cautelar.
Murad, que é o número 2 na hierarquia da PF, fez o pronunciamento durante a cerimônia de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional para agente da Polícia Federal, realizada no Teatro de Arena da Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Andrei era esperado para abrir formalmente o curso, mas não compareceu após os desdobramentos da crise.
Diante de uma plateia formada por 763 novos alunos, Murad afirmou que a Polícia Federal não se intimidará diante de pressões externas. “Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos”, declarou.
O diretor-executivo também defendeu a atuação dos investigadores da corporação e afirmou que o trabalho da PF é conduzido dentro dos limites legais e sem motivação político-partidária. Segundo ele, a instituição atua de forma “técnica, imparcial e livre de qualquer viés político”.
“Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, e comprometidos exclusivamente com o interesse público nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá”, prosseguiu Murad.
A manifestação ocorre após Mendonça determinar o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A medida busca apurar as circunstâncias da produção de relatórios apócrifos de inteligência que teriam monitorado autoridades, entre elas o próprio relator e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão de Mendonça já formou maioria de 3 votos a 0 na Segunda Turma do STF. O julgamento virtual, no entanto, foi temporariamente suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
A ausência de Andrei na cerimônia reforçou o peso da crise sobre a cúpula da PF. Ao mesmo tempo, o discurso de Murad funcionou como uma resposta institucional em defesa da direção da corporação e da legitimidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal.






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