O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reconheceu ter mantido contato em duas ocasiões com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Contudo, o parlamentar negou categoricamente a prática de qualquer ilegalidade ou o recebimento de benefícios financeiros decorrentes dessas interações com o ex-banqueiro.

De acordo com o relato do deputado, o primeiro contato ocorreu em 2024. A aproximação sucedeu o pedido de Nikolas Ferreira, fundamentado na Lei de Acesso à Informação (LAI), para investigar os financiadores de uma viagem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades públicas a um fórum jurídico em Londres. Após formalizar o requerimento, o parlamentar afirmou ter sido procurado pelo pastor André Valadão, que questionou sua iniciativa.

Detalhes dos contatos

Diante da intervenção do religioso, Nikolas Ferreira enviou uma mensagem a Vorcaro, justificando que desconhecia o patrocínio do Banco Master ao evento internacional. Um áudio divulgado pelo portal ICL Notícias revelou o teor dessa comunicação, na qual o deputado expressou não saber que a instituição financeira responsável era o “Banco do Dani”, ponderando que não haveria como retirar o pedido já feito. “Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”, declarou Nikolas Ferreira na mensagem gravada.

O segundo episódio de contato aconteceu em 2025, quando o deputado enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro para interceder em favor de um amigo, solicitando a liberação de um “ativo minerário”. Na ocasião, o parlamentar repassou os dados de contato do terceiro diretamente ao então proprietário da instituição financeira.

Interrupção das comunicações

Nikolas Ferreira assegurou que interrompeu os diálogos assim que surgiram as investigações jornalísticas e policiais apontando o suposto envolvimento de Vorcaro em fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O deputado enfatizou que não manteve mais nenhuma comunicação com o empresário desde o surgimento das denúncias. “Não houve nenhum contrato fechado, nunca recebi nenhum centavo dele”, declarou o parlamentar, reiterando que suas atuações não resultaram em transações financeiras ou vínculos contratuais com a instituição bancária.