A Coordenadora das Organizações Argentinas Solidárias com a Causa Saarauí demonstrou nesta terça-feira (29) grande preocupação e solidariedade a nove presos civis saarauís. Eles estão em greve de fome por tempo indeterminado em prisões do Marrocos, onde permanecem detidos há 16 anos.

Os prisioneiros, que fazem parte do grupo de Gdeim Izik, estão detidos nas prisões de Ait Melloul 2, Tiflet 2 e Kenitra Central. Em 23 de setembro, eles iniciaram um protesto exigindo que fossem reunidos em uma única unidade prisional e transferidos para o Saara Ocidental, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário e a IV Convenção de Genebra.

Condições de detenção e violações

A Liga para a Proteção dos Presos Saarauís (LPPS) relatou que, desde o primeiro dia da greve, as autoridades marroquinas impuseram isolamento total, proibindo ligações telefônicas e qualquer contato com as famílias. A Coordenadora argentina, em comunicado, denunciou a recusa da administração penitenciária marroquina em transferir os presos para centros mais próximos de suas famílias no Saara Ocidental, além das condições de encarceramento e restrições aos direitos fundamentais.

O comunicado enfatizou as “graves violações de direitos humanos” sofridas pelos prisioneiros, incluindo torturas físicas e psicológicas, confinamento prolongado em celas de isolamento, privação de assistência médica e desrespeito ao direito de transferência. A greve de fome, que coloca em risco a vida e integridade física dos detidos, é a continuidade de uma série de protestos realizados ao longo de seus anos de prisão.

Apelo internacional e solidariedade

As principais reivindicações do grupo incluem o cumprimento das decisões das Nações Unidas referentes aos seus casos, o respeito aos direitos de pessoas privadas de liberdade, acesso adequado à saúde e aproximação familiar. De seu lado, a entidade argentina fez um apelo urgente à ONU, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a outros organismos de direitos humanos.

O objetivo é garantir a integridade física e psicológica desses indivíduos, além de permitir o acesso de organizações humanitárias aos locais de detenção. A intenção é que essas organizações possam verificar de forma independente as condições de encarceramento e o estado de saúde dos grevistas. O comunicado finaliza manifestando solidariedade a Mohamed Bani, Abdallah Abbah, Mohamed Lamine Haddi, Bachir Khadda, Sidi El Bachir Boutanguiza, Ahmed Sbai, Naâma Asfari, El Hassan Azaoui e Hassan Dah, e suas famílias, conclamando organizações sociais, sindicais, políticas, estudantis, de direitos humanos e humanitárias da Argentina a apoiarem as reivindicações pelo respeito aos direitos fundamentais dos presos políticos saarauís.