Em um movimento para estreitar os laços culturais entre Brasil e China, duas importantes exposições foram inauguradas em ambos os países. “O Brasil de Portinari” foi aberta em 9 de junho de 2026 no Museu Nacional da China, em Beijing, e a mostra “Sabores da Tradição – História da Alimentação na China Antiga” teve início em 26 de junho de 2026 no Museu Histórico Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Ambas as iniciativas são parte do Ano Cultural China-Brasil 2026 e visam apresentar aspectos autênticos e profundos de cada cultura ao público estrangeiro.
A exposição de Portinari em Beijing exibe 56 obras originais do renomado artista brasileiro Candido Portinari, proporcionando uma visão abrangente de sua trajetória. Entre as peças, destacam-se os estudos preparatórios para os painéis monumentais “Guerra e Paz”, que adornam a sede das Nações Unidas. João Candido Portinari, filho do artista, esteve presente na inauguração e enfatizou que a mostra busca retratar um “Brasil autêntico, verdadeiro, sem retoques”. A iniciativa tem emocionado tanto o público chinês quanto os brasileiros que vivem na China, consolidando-se como um elo entre os povos.
Sabores da China Antiga no Brasil
No Brasil, a exposição “Sabores da Tradição – História da Alimentação na China Antiga” convida os visitantes a uma jornada pela culinária milenar chinesa. A mostra, que se estende até 11 de outubro, apresenta mais de cem relíquias de alto valor artístico, como panelas de barro, vasilhas de bronze e peças delicadas de jade e porcelana, que revelam a história da alimentação na China. A curadora Gao Xiuqing explicou que a exposição também oferece instalações multimídia interativas, permitindo que o público aprenda sobre a origem de ingredientes e o preparo de pratos tradicionais, como os bolinhos de arroz (Yuanxiao).
O diretor do Museu Nacional da China, Luo Wenli, ressaltou a importância da alimentação como linguagem universal e veículo cultural. Ele expressou a esperança de que a exposição conduza os brasileiros por um diálogo que atravessa séculos e fronteiras, fortalecendo a amizade entre as duas nações. A estudiosa de arte Rosana Pereira, uma das visitantes, destacou o valor da exposição para o estudo da arte asiática de forma integrada.
Intercâmbio Cultural como Ponte
Para o diretor do Museu Histórico Nacional do Brasil, Cícero Antônio Fonseca de Almeida, as duas exposições funcionam como uma ponte cultural. Ele acredita que o intercâmbio cultural é fundamental para fortalecer a cooperação em diversas áreas, incluindo a econômica. A expectativa é que as mostras ampliem os horizontes do público e inspirem novas perspectivas sobre o mundo contemporâneo.
A profunda conexão entre os dois povos foi evidenciada pelas palavras de João Candido Portinari, que desejou que a exposição de seu pai fosse “uma ponte de afeto, memória e profunda compreensão entre as nossas nações”. A recíproca foi materializada em uma caligrafia chinesa entregue a João Candido, com a frase “Almas afins, sem distância; mil léguas, ainda vizinhos”, que agora adorna o cavalete de seu pai, simbolizando uma amizade que desafia a distância.






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