O ministro Alexandre de Moraes, então na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou em 2022 um pedido de ampliação do horário de votação no segundo turno. Na época, operações investigadas como parte da trama para manter Jair Bolsonaro no poder dificultavam o acesso de eleitores às urnas, principalmente no Nordeste. O episódio voltou ao debate neste domingo (25), após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a prorrogação da votação até as 19h, diante de restrições no transporte durante a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A campanha de Lula denunciou em 2022 uma tentativa de boicote. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), sob comando de Silvinei Vasques, realizou mais de 500 operações de fiscalização de ônibus até o meio da tarde do segundo turno, em 30 de outubro. As abordagens continuaram mesmo após Moraes proibir ações envolvendo transporte de passageiros. Apesar das denúncias de atraso, o ministro manteve o encerramento às 17h.

Condenação pela trama golpista

As operações da PRF foram investigadas como parte da trama golpista. Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF durante o governo Bolsonaro, recebeu condenação de 24 anos e seis meses de prisão pelo STF em 2025. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Vasques atuou para dificultar o deslocamento de eleitores de Lula por meio das abordagens nas rodovias nordestinas. A defesa de Vasques negou que tenha atuado para impedir a votação.

Em agosto de 2026, Moraes determinou a cassação da aposentadoria do ex-diretor da PRF, como consequência da condenação criminal. Vasques havia deixado a corporação em 2022, aos 47 anos. Quatro anos depois, a história se repetiu com outro resultado: a campanha de Lula acionou o STF após relatos de redução da frota de ônibus, especialmente na Bahia. Desta vez, Zanin considerou graves as denúncias e ampliou o horário de votação em todo o Brasil até as 19h.

A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a extensão do prazo em municípios atingidos por chuvas intensas e bloqueios de vias. Com a decisão de Zanin, o TSE suspendeu temporariamente a totalização dos votos para cumprir a determinação judicial.