A Renault Gelly do Brasil, localizada no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, implementou uma tecnologia espanhola de 'canhão antigranizo'. O objetivo é proteger os cerca de 19 mil veículos estacionados diariamente nos pátios da montadora contra danos causados por pedras de gelo. Segundo a empresa, a solução tem sido eficaz em reduzir os prejuízos.

Antes da instalação do sistema, a montadora enfrentava perdas financeiras de três a quatro vezes por ano devido à queda de granizo na região. Daniel Kaltmaier, gerente de logística da Renault Gelly do Brasil, informou que a tecnologia, introduzida em 2022, resultou em uma redução significativa dos incidentes. "São quatro anos de instalação, hoje a gente tem dois sistemas e praticamente zero de granizo", afirmou Kaltmaier.

Como funciona o sistema

O 'canhão antigranizo' opera a partir de um monitoramento meteorológico da região. Uma prestadora de serviços especializada alerta a montadora sobre a previsão de formação de granizo. Com base nessa informação, a Renault Gelly do Brasil aciona remotamente o equipamento, que está localizado externamente à fábrica.

O dispositivo emite ondas sonoras, descritas como um 'tiro sônico', a cada 15 segundos. Essas vibrações e barulhos atingem as nuvens carregadas com a finalidade de impedir a formação de pedras de gelo. A empresa afirma que cada 'canhão' é capaz de proteger uma área de até um quilômetro de raio, e dois equipamentos foram instalados para cobrir os pátios da fábrica.

Dados e controvérsias

Após a instalação em 2022, a empresa registrou apenas um evento de tempestade com queda de gelo em janeiro deste ano, no qual a eficácia do equipamento foi comprometida pelos ventos fortes. Dados da montadora indicam que o acionamento do 'canhão' triplicou, de 2025 para 2026, com 53 ativações até outubro de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Apesar dos relatos positivos da Renault Gelly do Brasil, tanto a Organização Meteorológica Mundial quanto o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) afirmam que não existem estudos científicos suficientes que comprovem a eficácia do sistema contra a queda de granizo. Marco Antonio Jusevicius, meteorologista do Simepar, explicou que o aumento da incidência de granizo na região se deve a uma combinação de fatores climáticos, incluindo o fenômeno El Niño, que potencializa tempestades.