O governo de Minas Gerais anunciou a criação de 30 novos Colégios Tiradentes da Polícia Militar (CTPM), com a extinção de 30 escolas estaduais para abrir espaço às unidades em municípios do estado.

A medida foi apresentada por Mateus Simões, governador em exercício, e reacendeu o debate sobre a militarização da educação pública mineira, tema que já vinha sendo contestado por órgãos de controle e pela Justiça.

expansão da rede militar

Segundo o texto, Minas Gerais concentra 30 das 71 escolas militares vinculadas às forças de segurança pública estaduais no país, o que representa 42,2% do total. A proposta do governo é dobrar a rede dos CTPM, chegando a 60 unidades.

O estado, porém, não lidera o número de escolas militarizadas no Brasil. Na base citada no texto, Minas aparece com 25 unidades desse tipo, atrás de estados com redes maiores de escolas cívico-militares e militarizadas.

questionamentos sobre vagas e estrutura

A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais convocou audiências públicas para ouvir a Secretaria de Estado de Educação, a Polícia Militar, diretores, professores, famílias e estudantes sobre a extinção das escolas. Entre as dúvidas levantadas estão o destino de docentes e estudantes das unidades fechadas, os critérios de escolha das escolas e quem vai pagar fardamento e material didático.

O texto também aponta incertezas sobre atendimento a alunos com deficiência, pessoas neurodivergentes e turmas da Educação de Jovens e Adultos. Outro ponto em discussão é o financiamento dos novos colégios, já que parte da rede atual é custeada pela Secretaria de Segurança Pública e não pela Educação.

A expansão dos CTPM também é tratada como parte de uma estratégia mais ampla para reabrir espaço à militarização da rede estadual, após a derrubada de escolas cívico-militares em Minas pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Tribunal de Justiça.