O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter se reunido pessoalmente com o banqueiro Daniel Vorcaro em março de 2025, em um instituto educacional que mantém em São Paulo. Mendonça, que é o relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, negou que a conversa tenha abordado assuntos relacionados ao Banco Master ou ao Banco Central. Em nota divulgada na última quarta-feira (2), o ministro afirmou que o encontro durou entre 20 e 30 minutos e foi centrado em uma ação jurídica específica sobre precatórios.

A confirmação da reunião acontece um dia após o ministro ter retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que levantava suspeitas sobre possíveis ligações impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, e Daniel Vorcaro. Este documento faz parte das investigações sobre o Banco Master, que posteriormente passou por um processo de liquidação.

Detalhes do Encontro e Alegações

De acordo com informações divulgadas, mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro indicam que a reunião com Mendonça teria sido articulada por semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em um áudio datado de 8 de fevereiro de 2025, o advogado Ciro Rocha Soares enviou uma mensagem a Vorcaro com uma foto, dizendo: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”. Em outra comunicação, o advogado teria afirmado que André Mendonça gostaria de recebê-lo e que o ministro “já sabia da situação do Banco Central toda”.

Mendonça, por sua vez, declarou que o encontro foi intermediado por Cezinha de Madureira, atendendo a um pedido de pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha. O ministro reiterou que, durante a conversa, não foi discutido o Banco Central, embora o Banco Master já estivesse sob investigação que levaria à sua liquidação. Segundo Mendonça, a pauta era a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, um processo que trata do pagamento de precatórios originados de prejuízos de uma usina do setor sucroalcooleiro, a Agroindustrial Tabu. Essa ação já tramitava no Supremo há meses.

Contexto e Outros Contatos

Em 2024, o ministro Luís Roberto Barroso era o relator do processo de precatórios, e a votação estava em 6 a 0 a favor da tese quando Alexandre de Moraes pediu vista em novembro. O processo só foi devolvido em fevereiro de 2026, período em que Vorcaro já havia sido preso pela primeira vez. O Banco Master começou a utilizar precatórios após o Banco Central impor restrições ao uso da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Mendonça também mencionou outros atendimentos relacionados ao processo em suas funções institucionais, incluindo reuniões com o advogado Wilson Ramalho Cavalcante Neto, que representava partes na causa. Após a conversa inicial com Vorcaro, o ministro o orientou a procurar seu gabinete no STF para apresentar os argumentos da defesa. Posteriormente, Mendonça recebeu Wilson Ramalho Cavalcante Neto no Supremo, ocasião em que foi entregue um memorial técnico com os pontos da ação. Quanto ao advogado Ciro Batelli, o ministro afirmou ter se encontrado com ele em diversas ocasiões, mas não se lembra de ter tratado sobre o Banco Central ou o caso Master antes de as investigações chegarem oficialmente ao STF. Após o processo chegar à Corte, Mendonça confirmou ter conversado com Batelli sobre o tema nas dependências do STF.