O jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira expressou críticas à decisão do governo federal de proibir as plataformas de apostas online no Brasil, levantando questões sobre os efeitos da medida no mercado ilegal. A avaliação foi divulgada por ele em suas redes sociais na última sexta-feira (25), data em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória relacionada ao tema.

Para Mauro Cezar, o debate público em torno das apostas tem sido superficial, focado na possibilidade de simplesmente eliminar essas atividades. Ele argumenta que uma parcela significativa do mercado brasileiro já é controlada por empresas que operam fora das regulamentações governamentais. O jornalista estimou que “perto de metade do mercado brasileiro está nas mãos de casas ilegais”.

Impacto no mercado e na economia

Segundo Mauro Cezar, a proibição de empresas regularizadas não garante o fim das apostas. Ele sugeriu que operadores clandestinos poderiam continuar oferecendo jogos, como os “tigrinhos”, sem as obrigações tributárias e regulatórias. O jornalista também relacionou a discussão ao futebol, ressaltando que as empresas ilegais continuariam a operar sem pagar impostos, gerar empregos ou patrocinar clubes. Ele enfatizou que “a regulamentação era necessária. A discussão sobre publicidade, limites e mecanismos de proteção ao apostador também é”.

Preocupação com a saúde e a dependência

Outro ponto levantado por Mauro Cezar foi a destinação dos recursos provenientes das apostas legais. Ele questionou o percentual destinado à saúde, especialmente no que se refere ao tratamento e prevenção da dependência em jogos. O jornalista observou que “se a preocupação central fosse realmente a saúde das pessoas e o combate à ludopatia, seria difícil explicar por que apenas 1% dos recursos provenientes das destinações legais das apostas foi reservado especificamente à saúde”.

A manifestação de Mauro Cezar ocorreu no mesmo dia em que o presidente Lula assinou uma medida provisória que proíbe a operação de plataformas de apostas online no país. A decisão tem efeito imediato e foi acompanhada de um projeto de lei que prevê a criminalização da exploração desse tipo de jogo, com penas de até seis anos de prisão.