O jornalista Mario Vitor Santos avaliou a conduta do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação às investigações envolvendo a família Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para o comentarista, a falta de ação e o sigilo impostos pelo magistrado sobre informações cruciais das apurações configuram uma cumplicidade de dentro da mais alta corte do país com crimes que estão sendo investigados pela Polícia Federal.

O foco da denúncia reside na movimentação de dezenas de milhões de reais enviados para o exterior. "O que aconteceu com os 69 milhões de reais — pelo menos — que foram enviados pelo Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos?", questionou Mario Vitor Santos.

A rota offshore e o fundo Havengate

Segundo o jornalista, a operação financeira teria tido como intermediária a empresa Entre, ligada ao próprio Vorcaro, antes de ser transferida para contas nos Estados Unidos destinadas ao fundo Havengate. O ponto central é a gestão dessa estrutura offshore: o responsável legal pelo fundo nos EUA é o mesmo operador jurídico e representante do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). "Esse dinheiro efetivamente estava sob controle do Eduardo Bolsonaro. E a linha da Polícia Federal desconfia que ele não foi encaminhado para qualquer gasto do filme ‘Dark Horse'", afirmou Mario Vitor.

A produção cinematográfica 'Dark Horse', uma cinebiografia promocional sobre Jair Bolsonaro, tem sido apontada por investigadores como um pretexto para a circulação de grandes somas de dinheiro sem a devida comprovação de custos de mercado. Para o analista da TV 247, caso a família afirme a destinação cultural dos valores, é obrigatória a prestação de contas: "O recurso teria ficado com o Eduardo Bolsonaro, que tem que provar em que gastou e apresentar uma planilha de gastos efetivos do que foi usado para esse recurso de dezenas de milhões de reais."

A condução do caso no STF

A crítica mais severa de Mario Vitor Santos recaiu sobre a condução processual sob a responsabilidade do ministro André Mendonça no STF. O magistrado, indicado por Jair Bolsonaro, é acusado de manter em sigilo documentos e movimentações essenciais que poderiam esclarecer as transações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o irmão Eduardo e o dono do Banco Master. "Até agora, o ministro André Mendonça está sentado em cima desse material e não revela, oculta todas as informações absolutamente fundamentais a respeito desse caso. Alguém tem que responsabilizar o ministro André Mendonça por esse tipo de ocultação inaceitável, que equivale a uma cumplicidade com um crime de dentro do Supremo Tribunal Federal", declarou.

Mario Vitor concluiu seu comentário enfatizando a necessidade de que os relatórios de inteligência financeira e os autos em poder do gabinete do ministro sejam tornados públicos. "É preciso dar um basta nisso. Essas informações são aquelas que alguém tem que trazer a público para, enfim, esclarecer esse caso."