María Corina Machado, figura proeminente da oposição venezuelana, criticou nesta quinta-feira os termos de um acordo petrolífero estabelecido entre os Estados Unidos e o governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez. Em declarações, Machado enfatizou que a reconstrução do país não pode se restringir à exploração de suas vastas reservas de petróleo, defendendo a necessidade de investimentos acompanhados por instituições sólidas, transparência e estabilidade política.
Em um vídeo divulgado no X, gravado no exílio, María Corina reagiu ao entendimento anunciado pelo presidente Donald Trump. O acordo prevê o controle por Washington de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano, distribuídos em 17 campos. A líder opositora salientou que, embora o setor petrolífero seja crucial, ele representa apenas uma fração da colossal reconstrução que a Venezuela demanda. No entanto, ela alertou que a mera disponibilidade de capital não será suficiente para reerguer uma economia fragilizada por uma deterioração institucional e a diminuição da capacidade produtiva. Em um país com a dimensão e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor pode operar isoladamente.
Legitimidade da Negociação e Transparência
Apesar de defender uma aproximação com Washington, María Corina questionou a legitimidade do governo atual para tomar decisões estratégicas sobre os recursos naturais venezuelanos sem respaldo democrático. Ela argumentou que o patrimônio do solo venezuelano pertence ao povo, e não a um regime que considera ilegítimo, que assumiu o comando do país após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos. Para Machado, qualquer investimento estrangeiro na Venezuela deve aderir a princípios inegociáveis de transparência, legalidade e eficiência, condições que, segundo ela, só seriam possíveis com um governo sério e democrático.
O acordo anunciado por Donald Trump concede aos Estados Unidos uma participação equivalente a 20% das reservas petrolíferas venezuelanas contempladas. Isso envolve aproximadamente 65 bilhões de barris de petróleo bruto em 17 campos. Este movimento coincide com a abertura da indústria venezuelana a grandes multinacionais, com a assinatura de acordos com empresas como Chevron e Eni. A Venezuela, detentora das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo, enfrenta uma produção limitada devido a décadas de subinvestimento, infraestrutura precária, corrupção e sanções. Essa contradição é utilizada por María Corina para reforçar que o petróleo, por si só, não garantirá a reconstrução do país.
Preocupações com a Soberania e o Futuro Político
Além de questionar a legitimidade política do acordo, María Corina expressou compreender a insatisfação dos venezuelanos com a percepção de que decisões sobre as riquezas nacionais são tomadas sem a participação popular. Ela manifestou profunda preocupação com as implicações futuras para a Venezuela, distinguindo entre apoiar uma parceria estratégica com os Estados Unidos e reconhecer legitimidade ao governo atual para negociar ativos nacionais. Para ela, acordos de tal magnitude devem estar submetidos a instituições democráticas.
O acordo petrolífero surge em um cenário de indefinição sobre o calendário de novas eleições presidenciais. Recentemente, Trump e Delcy Rodríguez concordaram que a Venezuela ainda não estaria pronta para realizar eleições. Contudo, parte da oposição continua a clamar por uma transição democrática. Impedida politicamente de concorrer, María Corina Machado tornou-se uma das principais vozes da oposição, mesmo estando no exílio após deixar Caracas clandestinamente. Ao criticar o acordo, ela busca redirecionar o debate para a questão da legitimidade na gestão dos recursos e das instituições que administrarão a riqueza gerada pelo petróleo.







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